O Dom Brejas, que produz cervejas artesanais em Campinas, planeja aumentar o quadro de funcionários apostando na melhora da economia

Leandro Ferreira/AAN

O Dom Brejas, que produz cervejas artesanais em Campinas, planeja aumentar o quadro de funcionários apostando na melhora da economia

O Estudo Sondagem Conjuntural, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com dados de setembro, mostra a retomada do otimismo entre os donos de micro e pequenas empresas. O percentual daqueles que acreditam na melhoria do cenário econômico cresceu de 56% em agosto para 59% em setembro. Empresários da Região Metropolitana de Campinas (RMC) já investem em seus negócios e contratam mão de obra apostando em um cenário econômico de crescimento para 2020.

De acordo com o levantamento, seis em cada dez empresários já têm planos para investir em seus negócios, nos próximos 12 meses. A pesquisa foi realizada entre os dias 11 e 18 de setembro e ouviu quase 3 mil empreendedores.

“A Sondagem Conjuntural mostra que 62% dos empreendedores entrevistados estão na expectativa de aumentar o faturamento e 93% dos que estão otimistas acreditam que o crescimento dos negócios se dará com o governo atual”, diz nota do Sebrae.

Os setores que mais se destacam no otimismo são a construção civil (65%) e as empresas de pequeno porte.

Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, os pequenos negócios têm sido um dos alavancadores da economia no Brasil, pois são eles que estão gerando mais emprego e renda. “Os donos de micro e pequenas empresas estão confiantes no futuro do país”, afirma.

E a afirmação dele se comprova nos números de contratação. “Somente este ano, foram mais de 670 mil vagas criadas pelas micro e pequenas empresas, o que representou cerca de 90% do total de postos de trabalho com carteira assinada, superando todo o saldo de 2018”, acrescenta.

Neide Nascimento, dona do ContMais Assessoria Contábil, em Campinas, reflete a pesquisa. “Eu já estou fazendo investimentos na equipe e no marketing, para a captação de novos clientes. Tem aumentado a demanda e têm aberto novas empresas. A tendência pe aumentar o número de Microempreendedor Individual (MEIs). Eles estão empreendendo acreditando no crescimento da economia”, diz

Ela aponta que as medidas econômicas e a construção civil aquecida fazem com que os empresários pensem em investir e contratar.

Gustavo Agiessi, proprietário da Utacar Oficina Automotiva, em Campinas, disse que já percebeu otimismo nos clientes. “Essa melhora é notável no nosso faturamento. Antes as pessoas gastavam para fazer o básico e parcelavam. Hoje ainda parcelam, mas fazem de tudo no carro. Isso reflete na minha empresa e nos investimentos”, afirma.

O otimismo é tamanho que a empresa vai expandir. “No ano que vem tenho certeza que vai melhorar. Pretendo investir e abrir outra unidade e contratar mais pessoas. Já temos oito funcionários e estou contratando mais dois”, adianta.

O otimismo contagia empresários de diversos segmentos. Robson Franco Ramo, dono da Dom Brejas, em Campinas, que produz cervejas artesanais, também vai aumentar o quadro de funcionários. “A gente tá bem otimista com o próximo ano, já fez algumas contratações pensando nisso. Vamos fazer uma pequena expansão na parte do bar. Já contratei duas pessoas. Tenho 16 funcionários”, conta.

Ele recebe cerca de 1,2 mil clientes por mês. “O consumidor não deixou de sair, mas tinha reduzido o ticket médio (gasto). Desde o ano passado tinha reduzido 30%”, diz.

Parte do otimismo é porque a situação está se revertendo. “Nos últimos dois meses senti um aumento no ticket médio, subiu 13%. Nesse mês, acredito que vá subir uns 15% ou 16%. Devemos virar o ano retomando os 30%”, avalia.

Outro investimento que ele tem feito é no tipo de carne servida no estabelecimento. “Pensando na retomada, a gente fez investimento. Agora fazemos o próprio corte num frigorífico parceiro. Investimento no gado próprio, de uma raça britânica. A qualidade melhorou. Tudo isso também para alavancar o ticket”, afirma.

Os dados mostram que 79% dos entrevistados que têm dificuldades em contratar mão de obra especializada optam por contratar pessoas inexperientes e capacitam no próprio estabelecimento.

“Muita gente contrata pensando em efetivação, crescimento. Todos os temporários que eu contratei acabei efetivando. Esses dois que eu contratei estão temporários, mas já visando a efetivação por conta da expansão”, diz ele, que treina os funcionários. 

Micros têm aumento no faturamento

As micro e pequenas empresas e profissionais liberais das regiões de Campinas, Jundiaí e Bragança Paulista registraram crescimento pelo segundo mês consecutivo. O Índice BNI Planalto Paulista, apurado junto a 550 empresas, revela alta de 5,8% no faturamento no mês de agosto, quando comparado a julho deste ano. As 550 empresas que fazem parte do BNI Planalto Paulista faturaram R$ 4.566 milhões no mês passado com venda de produtos e prestação de serviços, ante R$ 4.312 milhões de julho. Quando comparado ao mesmo mês de 2018, o faturamento das empresas ainda está 1,2% inferior.

Milton Gadioli, diretor comercial da Tokstil, empresa que desenvolve móveis para ambientes corporativos e médicos, com sede em Campinas, atesta o indicador. “A gente já sentiu crescimento grande em julho. Foi de quase 40% em comparação com junho. Em agosto foi um crescimento de pouco mais de 10%”, comemora. Ele acredita que há uma retomada da confiança. “Muitas empresas que estavam com projetos parados retomaram esses projetos. Com uma maior confiança na economia, cada empresa que retoma vai incentivando a outra”, explica. Gadioli lembra que a demanda que estava represada desde o ano passado passou a ter fluxo.

Christian Furtado, proprietário da MTC, empresa de telecomunicações sediada em Hortolândia, também sentiu essa confiança. “Tivemos 11% de crescimento em agosto. Sem dúvida, em setembro vai haver mais ainda. Muitas empresas estão investindo, crescendo. Acho que em setembro vamos crescer 15%”, adianta. Para Eduardo Santana, diretor do BNI Planalto Paulista, o crescimento no faturamento nos dois últimos meses é um sinal de que existe uma melhora no quadro econômico e de consistência nos negócios realizados. “É evidente que o pequeno e médio empresário espera por um crescimento maior, mais robusto. Mas, por outro lado, percebemos que os números registrados indicam que não houve uma deterioração do cenário econômico”, diz ele, em referência à alta do dólar frente ao real, provocada pela instabilidade. 

Escrito por:

Francisco Lima Neto

Fonte: RAC

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