Inseticida usado em nebulização contra dengue está em falta em 31 cidades da região

Inseticida usado em nebulização contra dengue está em falta em 31 cidades da região

O inseticidas para ações contra o mosquito Aedes aegypti está indisponível em 31 cidades da região de Campinas (SP), segundo dados fornecidos por prefeituras para a EPTV, afiliada da TV Globo.

O procedimento está interrompido desde maio do ano passado porque o Ministério da Saúde, responsável por comprar e distribuir, deixou de fornecer. O governo reconhece a falta do produto, mas alega que o produto é “última estratégia” para evitar doenças como zika, dengue e chikungunya.

Municípios sem inseticida antidengue

  • Águas de Lindoia
  • Americana
  • Amparo
  • Artur Nogueira
  • Campinas
  • Espírito Santo do Pinhal
  • Estiva Gerbi
  • Holambra
  • Hortolândia
  • Indaiatuba
  • Itapira
  • Jaguariúna
  • Lindóia
  • Louveira
  • Mogi Guaçu
  • Mogi Mirim
  • Monte Alegre do Sul
  • Monte Mor
  • Morungaba
  • Paulínia
  • Pedra Bela
  • Pedreira
  • Pinhalzinho
  • Santo Antônio de Posse
  • Santo Antônio do Jardim
  • Serra Negra
  • Socorro
  • Sumaré
  • Tuiuti
  • Valinhos
  • Vinhedo

Segunda cidade no estado com mais casos de dengue registrados em 2019, Campinas está entre os municípios afetados pela falta do inseticida. Para tentar controlar a circulação da doença, a alternativa encontrada pela prefeitura foi comprar um produto menos eficaz e com recursos próprios. O produto mais adequado neste tipo de ação só pode ser adquirido pelo Ministério da Saúde.

A nebulização começou em novembro do ano passado, com investimento de R$ 11,5 mil e o estoque é suficiente para cerca de 30 mil imóveis.

Cidades da região de Campinas estão sem inseticida — Foto: Paulo Whitaker/File Photo/ReutersCidades da região de Campinas estão sem inseticida — Foto: Paulo Whitaker/File Photo/Reuters

Cidades da região de Campinas estão sem inseticida — Foto: Paulo Whitaker/File Photo/Reuters

De acordo com a coordenadora do Programa de Arboviroses, Heloisa Malavazzi se a aplicação tivesse ocorrido durante a epidemia de 2019, haveria um número menor de casos.

“Estamos esperando esse reabastecimento do Ministério ainda sem uma data definida. Compramos uma quantidade que provavelmente será suficiente até que esse reabastecimento aconteça”, explica.

Ainda segundo a coordenadora, o produto elimina o mosquito Aedes aegypti na fase adulta, quando ele já pode transmitir a doença e a nebulização é feita em locais pré-estabelecidos e identificados como áreas de transmissão da dengue.

“Semanalmente, monitoramos as áreas de transmissão baseado nos casos suspeitos e confirmados de dengue, mapeando esses casos para programar a atividade de nebulização. Isso é importante até para não provocar a resistência do mosquito ao inseticida. Se eu começar a usar indiscriminadamente, o inseticida não vai mais funcionar para matar mosquito”, afirma Malavazzi.

Moradora de Americana (SP), a dona de casa Vera Lúcia Berardo conta que alguns parentes e duas vizinhas dela já contraíram dengue. Em 2019, a cidade registrou 4.555 casos da doença, quatro mortes e também ficou sem o produto utilizado para a nebulização. Vera conta que tem medo do mosquito Aedes aegypti, cuida do quintal de casa, mas falta conscientização da população.

“Eu lavo os pratinhos das plantas, coloquei areia grossa, aqui está tudo em ordem. Mas a população joga lixo nas calçadas e dentro do bosque vizinho aqui. Passa lixeiro e o pessoal não tem consciência de colocar esse lixo certinho. Não tem como não ter dengue desse jeito”, explica.

A dona de casa Vera Berardo, de Americana, cuida do quintal para evitar criadouros — Foto: Pedro Santana/EPTVA dona de casa Vera Berardo, de Americana, cuida do quintal para evitar criadouros — Foto: Pedro Santana/EPTV

A dona de casa Vera Berardo, de Americana, cuida do quintal para evitar criadouros — Foto: Pedro Santana/EPTV

A Secretaria de Saúde de Americana informou que os bairros com a maior concentração de casos da doença foram os bairros Antônio Zanaga e Jardim da Paz.

A dona de casa Neuza Gonçalves lembra que foi infectada pelo vírus em abril do ano passado. Ela diz que mantém a casa limpa, mas encontra diversos objetos com água acumulada pelas ruas da cidade.

“Dengue é muito ruim, fiquei vários dias passando muito mal. As pessoas não têm consciência. Jogam vasilha, copo descartável e aí chove e enche de água. A nebulização aqui nem passou. Antigamente passava, mas nunca mais passou. Se tivesse passado, acabava um pouco com os mosquitos.”

Lixo e água acumulada servem de criadouros para o mosquito — Foto: Pedro Santana/EPTVLixo e água acumulada servem de criadouros para o mosquito — Foto: Pedro Santana/EPTV

Lixo e água acumulada servem de criadouros para o mosquito — Foto: Pedro Santana/EPTV

O que diz o ministério?

Em nota, o Ministério da Saúde reconheceu a falta do produto e disse que 25 mil litros de inseticida foram distribuídos para estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí e Rio de Janeiro, onde o risco é considerado maior.

Além disso, destacou que a medida mais eficaz é a eliminação de focos de multiplicação do mosquito Aedes aegypti e o envolvimento de todas as esferas do governo e da sociedade é fundamental.

“Desde maio de 2019, o Brasil está desabastecido do inseticida Malathion devido à uma grande quantidade de produtos vencidos e com problemas de qualidade em razão de alterações químicas em sua formulação”. Segundo a assessoria, neste mês 80 mil litros devem ser distribuídos no país e o Ministério já fez a compra de 300 mil litros de outro inseticida que será distribuído em fevereiro.

Artigos relacionados
Carregar mais por - redação
Carregar mais em Notícias

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Leia também

Tarifa do VLT da Baixada vai a R$ 4,55. Reajuste também nos ônibus

Neste domingo, 26 de janeiro de 2020, sobem as tarifas em cinco regiões metropolitanas ger…