As marquises eram uma das marcas do Largo do Rosário

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As marquises eram uma das marcas do Largo do Rosário

Palco de shows, protestos políticos, intervenções artísticas, feira de livros, feira hippie e ponto de concentração para as mais diversas mobilizações na cidade, entre outros usos, o Largo do Rosário, em Campinas, já nasceu com vocação para atrair multidões — isso em uma época em que nem se imaginava que a cidade teria as dimensões populacionais atuais.

O nome oficial do espaço no Centro da cidade é Praça Visconde de Indaiatuba, mas muito gente desconhece. O apelido vem da Igreja do Rosário, que ficava na frente do Palácio da Justiça, onde hoje é Praça Guilherme de Almeida. A igreja foi demolida no ano de 1956 para o alargamento das avenidas Francisco Glicério e Dr. Campos Sales. Essa história já foi tema desta coluna, sob o título “A igreja apagada pelo ‘progresso'”, na edição do último dia 27 de outubro.

Largo ou pátio é uma expressão tradicionalmente utilizada para nomear esses espaços que ficam na frente das igrejas.

A igreja foi posta abaixo no dia 19 de agosto de 1956. Nos meses anteriores, principalmente entre junho e julho daquele ano, houve muitas discussões sobre o que seria feito com a praça e como aconteceria sua remodelação, uma vez que ela já fazia parte da identidade do Município desde a inauguração da igreja, em 1817.

A vocação para ser palco de grandes manifestações foi notada no ano de 1847, quando o imperador Dom Pedro II visitou a cidade. Cerca de 10 mil pessoas se aglomeraram no pátio naquela ocasião. A partir de então, o largo passou a ser considerado o local ideal para eventos que envolvessem grande público.

Ainda em 1846, Dona Tereza Miquelina Amaral Pompeo, irmã de Joaquim Bonifácio Amaral (Visconde de Indaiatuba), finalizou a construção de seu sobrado colonial, na esquina das ruas Barão de Jaguara e General Osório — o imóvel foi tombado pelo Condepacc em 1988 e ficou conhecido como Solar Visconde de Indaiatuba (daí a inspiração para o nome oficial do Largo do Rosário).

Tempos depois, o espaço do Largo do Rosário passou a ser usado para a realização de feiras, o que ajudava a população mais pobre a comprar os produtos sem os acréscimos dos atravessadores.

Em 1873, a Prefeitura construiu um chafariz no largo. No ano seguinte, o chafariz de bronze, formado por um pedestal com três torneiras, entrou em funcionamento. O local também recebeu arborização.

Por sugestão do vereador José Bento dos Santos, o largo recebeu o nome de Praça Visconde de Indaiatuba. Em 1895, a praça foi novamente remodelada. As árvores foram removidas e substituídas por um jardim, onde foram instalados bancos, calçadas, banheiros, iluminação a gás e um novo chafariz.

Até o ano de 1908, o largo era a praça mais bonita da cidade, mais conhecida e que recebia mais cuidados. Em 1911, chegaram à Campinas dois calceteiros para executar caminhos de mosaico português. No ano seguinte, a praça ganhou um monumento em homenagem a César Bierrembach. E assim, ao longo dos anos, a praça foi recebendo intervenções. Na década de 1930 era um verdadeiro quartel general das forças de oposição à Política dos Governadores. Em outubro de 1930, explodiu em festa com a vitória de Getúlio Vargas. Edição do Correio Popular do dia 4 de julho de 1956 mostrava que havia um concurso entre arquitetos para a elaboração de projetos para o largo, que já estava sendo tratado como praça.

Após várias intervenções, em 1971 começou um novo projeto de remodelação que pretendia desestimular as manifestações da praça. Vale salientar que era o período da ditadura militar, mas o projeto não vingou.

Em 1982, o prefeito Chico Amaral tentou transformar o espaço em um terminal de ônibus, mas as críticas foram muitas e o projeto foi esquecido. A obra até começou, mas foi abortada pelo Condephaat. A praça e sua vocação venceram mais uma batalha.

Suas marquises — que existiam desde a década de 1950 — foram derrubadas em 1998, quando foi feita a remodelação do piso e colocação de luminárias, resgatando um projeto de 1934. A praça foi tombada pelo Condepacc em 1996, e depois de testemunhar grande parte da história de Campinas, continua sua vocação de ser um espaço democrático de convivência.

Escrito por:

Francisco Lima Neto/AAN

Fonte: RAC

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