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A realidade de grande parte dos brasileiros é ter que sobreviver com o salário mínimo de R$ 998. Para a maioria da população do país, portanto, ganhar R$ 24 mil para gastar todos os meses é sinônimo de riqueza, ostentação e dinheiro sobrando para garantir o conforto da família. Mas não para o procurador do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) Leonardo Azeredo dos Santos. Durante um encontro para discutir o orçamento do órgão 2020, ele classificou a remuneração como um “miserê” e questionou: “Vamos virar pedintes?” (ouça acima).

O desabafo foi feito após o procurador-geral de Justiça no estado, Antônio Sérgio Tonet, informar que, caso Minas Gerais assine o acordo de recuperação fiscal com o governo federal, não será concedido qualquer reajuste salarial para os membros do MPMG. “Quero saber se nós, no ano que vem, vamos continuar nessa situação ou se vossa excelência já planeja alguma coisa, dentro da sua criatividade, para melhorar nossa situação. Ou se vamos ficar nesse miserê”, afirmou Leonardo.

“Estou fazendo a minha parte. Estou deixando de gastar R$ 20 mil de cartão de crédito e estou passando a gastar R$ 8 (mil), para poder viver com os meus R$ 24 mil. Agora, eu e vários outros, já estamos vivendo à base de comprimidos, à base de antidepressivo. Estou falando desse jeito aqui com dois comprimidos sertralina por dia, tomo dois ansiolíticos por dia e ainda estou falando desse jeito. Imagine se eu não tomasse? Ia ser pior que o Ronaldinho. Vamos ficar desse jeito? Nós vamos baixar mais a crista? Nós vamos virar pedintes, quase?”, continua o procurador.

Segundo o portal da transparência de Minas Gerais, Leonardo Azeredo recebe um salário bruto de R$ 35.462,22. Mas contando com indenizações e outras remunerações, o valor pode ficar bem maior. Em julho, por exemplo, Leonardo recebeu indenização de R$ 9.008,30, além de remunerações retroativas/temporárias de R$ 32.341,19. Com os acréscimos, a remuneração para a ele no mês foi de R$ 65.152,99.

Em nota, o Ministério Público de Minas Gerais declarou que não há nenhum projeto em andamento sobre adoção de benefício para a carreira de procuradores e promotores de Justiça, nem de servidores, em função da grave crise financeira do estado. O órgão ainda informou que tem tomado todas as medidas cabíveis para reduzir gastos, especialmente com folha de pessoal, visando a mantê-los dentro do limite legal de 2% da Receita Corrente Líquida.

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