O rejuvenescimento é um dos limites da natureza que a humanidade constantemente tenta desafiar. Associado, no passado à magia e à mitologia (um caso clássico é o da lenda da fonte da juventude), o tema é, hoje, discutido nos laboratórios de genética e bioquímica mais avançados do mundo. Essa ciência não está, propriamente, relacionada a aspectos estéticos (com o desenvolvimento de cosméticos, por exemplo), mas busca atuar nos danos que o tempo acaba produzindo nas células, tecidos e órgãos.

Incrível.club selecionou algumas das pesquisas mais inovadoras sobre esse tema e seus resultados pra lá de surpreendentes.

Um teste que conseguiu reduzir a idade biológica

Cientistas da Universidade da Califórnia (EUA) conseguiram, pela primeira vez, rejuvenescer um grupo de 9 homens de mais de 50 anos. Durante um ano, foram dados a eles medicamentos para tratamento do diabetes e um hormônio de crescimento como forma de buscar deter seu envelhecimento. Os resultados preliminares surpreenderam: os voluntários tiveram a idade biológica reduzida em cerca de 2,5 anos.

O ensaio, publicado na revista Nature, sugere que houve uma restauração do tecido da glândula timo, um órgão central para o bom funcionamento do sistema imunológico. A questão é que não houve apenas uma suspensão do envelhecimento das células, mas mais que isso: elas rejuvenesceram.

Mesmo que os resultados abram as portas para o sonho de uma eterna juventude, os cientistas advertem que precisam aprofundar a pesquisa: conseguir mais participantes, incluir mulheres no estudo e um grupo de controle — pessoas que não recebem medicamentos para comparação em relação a outros possíveis fatores de interferência.

Um anfíbio que pode ajudar na pesquisa

Regenerar extremidades amputadas e órgãos danificados, curar feridas sem deixar cicatrizes e reverter os danos a tecidos. Não, não estamos falando dos poderes mutantes de Wolverine, mas sim das capacidades do axolote e que podem ser úteis na pesquisa. Esse anfíbio originário do México é o único animal vertebrado capaz de se regenerar. Por isso, um grupo de cientistas de vários países mostrou especial interesse em decodificar seu genoma e entender como isso funciona. Ao fazê-lo, esses cientistas descobriram que esse animal possui 32 bilhões de pares de bases de DNA, 10 vezes mais que os humanos!

“Essa descoberta será uma poderosa ferramenta para estudar a base molecular da regeneração de extremidades e outras formas de recuperação”, afirmaram os pesquisadores. “Abrirá a porta para uma quantidade imensa de oportunidades para estudar como se regeneram os organismos!” completaram.

Reverter a perda de memória ocasionada pelo passar dos anos

A diminuição da memória pelo envelhecimento afeta, em maior ou menor grau, todos os seres humanos. Mas neurocientistas da Universidade de Boston (Estados Unidos) descobriram que é possível mudar essa situação usando uma forma inofensiva de estimulação elétrica no cérebro.

Os pesquisadores realizaram alguns experimentos mentais em um grupo de 42 pessoas entre 20 e 29 anos e em outras 42 de entre 60 e 76 anos. As mais velhas, como era de se esperar, eram mais lentas e menos precisas. Então, esses mesmos voluntários foram estimulados durante 25 minutos com suaves ondas elétricas não invasivas com o objetivo de melhorar sua memória a curto prazo.

O resultado foi surpreendente: a memória dos mais velhos melhorou a ponto de atingir os mesmos níveis da do grupo mais jovem. Esse efeito durou cerca de 50 minutos. A explicação é a de que o estímulo ajudou a conexão entre o córtex pré-frontal e o lóbulo temporal, duas regiões do cérebro que tendem a perder a sincronia com o passar do tempo. Agora, o desafio é fazer com que esse efeito seja mais duradouro. Mas esses primeiros resultados são animadores.

A “magia” de rejuvenescer células velhas

As células cumprem um ciclo e morrem. Isso ocorre quando elas são substituídas por células mais novas ou por conta de fatores adversos, como doenças. Reverter esse processo implica deter os movimentos degenerativos que se desenvolvem com o passar do tempo. Mas um estudo realizado pelas Universidades de Exeter e Brighton (Reino Unido) conseguiu rejuvenescer células humanas.

Os pesquisadores aplicaram compostos análogos ao resveratrol (uma substância química que é produzida de forma natural em plantas como as uvas e os mirtilos) em um cultivo de células velhas humanas. Em questão de horas, elas passaram a parecer mais jovens e começaram a se dividir, processo fundamental no crescimento dos seres vivos.

“Quando vimos que algumas das células rejuvenesciam, não pudemos acreditar. Elas pareciam células jovens, apesar de serem velhas. Foi como magia”, disse Eva Latorre, pesquisadora da Universidade de Exeter. Essa descoberta tem o potencial de conduzir a terapias que poderão ajudar pessoas a não passar pelos efeitos degenerativos produzidos pelo envelhecimento.

Um sistema imunológico mais jovem

O sistema imunológico é a defesa natural do corpo contra as infecções externas e internas. Tende a perder sua força à medida que o ser humano envelhece, tornando as pessoas mais vulneráveis a infecções e doenças. Cientistas de várias universidades americanas e britânicas acreditam que encontraram uma forma de controlar, em alguma medida, esse processo, o que implica aumentar a qualidade e a expectativa de vida.

Em um ensaio clínico, um grupo de pessoas de 65 anos ou mais recebeu durante 6 semanas medicamentos experimentais conhecidos como inibidores de mTOR. Um ano depois do experimento, foi constatado que haviam tido 50% menos infecções que o grupo de controle que somente recebeu placebo. Além disso, esses voluntários mostraram uma melhor resposta à vacina contra a gripe.

“A função imunológica foi somente um dos aspectos que apresentaram melhora”, disse o médico Joan Mannick, que participou da pesquisa. Agora, depois de comprovar os resultados positivos para combater doenças respiratórias, os pesquisadores planejam testar os medicamentos em outras condições relacionadas com a idade, como as doenças neurodegenerativas.

Você é a favor de a ciência pesquisar formas de rejuvenescer o ser humano? Ou, em sua opinião, esse é um processo natural e estaríamos brincando de deuses? Gostaríamos muito de ler suas respostas na seção de comentários!

Artigos relacionados
Carregar mais por - redação
Carregar mais em Saúde & Bem Estar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

GE divulga oportunidade(s) para Estágio em Supply Chain – GE – Campinas/SP

Resumo da Função: Terá a oportunidade de desenvolver diversos papéis dentro das áreas de o…