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Segundo a Folha de S.Paulo, procurador queria criar empresa com colega da Lava Jato e colocá-la nos nomes das esposas deles

Estadão ConteúdoO procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol

O jornal Folha de S.Paulo, em parceria com o site The Intercept Brasil, divulgou neste domingo (14) que o procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol montou um plano de eventos e palestras para lucrar com a fama obtida com a Operação Lava Jato.

Em um diálogo no fim de 2018, Deltan e um colega da força-tarefa da Lava Jato discutiram a criação de uma empresa na qual eles não apareceriam formalmente como sócios, para evitar questionamentos legais e críticas.

“Se fizéssemos algo sem fins lucrativos e pagássemos valores altos de palestras pra nós, escaparíamos das críticas, mas teria que ver o quanto poderíamos em termos monetários”, comentou Dallagnol no grupo com o colega. eles também discutiram a possibilidade de parcerias com uma empresa organiadora de formatura e outras duas firmas de eventos.

Em mensagem à sua esposa, Deltan se justificou. “Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar no networking e visibilidade”, escreveu ele.

Segundo a lei, procuradores são proibidos de gerenciar empresas. A legislação permite que essas autoridades sejam apenas sócios ou acionistas de companhias.

Ainda em dezembro de 2018, Deltan e seu colega de na força-tarefa Roberto Pozzobon criaram um grupo de mensagens específico para discutir o tema. O grupo era composto também pelas esposas deles.

“Antes de darmos passos para abrir empresa, teríamos que ter um plano de negócios e ter claras as expectativas em relação a cada um. Para ter plano de negócios, seria bom ver os últimos eventos e preço”, escreveu Deltan nesse chat.

Pozzobon respondeu: “Temos que ver se o evento que vale mais a pena é: i) Mais gente, mais barato ii) Menos gente, mais caro. E um formato não exclui o outro.”

Após meses de discussões, em 14 de fevereiro de 2019, Delta propôs que a empresa fosse aberta em nome das mulheres deles, e que a organização dos eventos ficasse a cargo de Fernanda Cunha, dona da forma Star Palestras e Eventos.

“Só vamos ter que separar as tratativas de coordenação pedagógica do curso que podem ser minhas e do Robito [Pozzobon] e as tratativas gerenciais que precisa ser de Vcs duas, por questão legal”, detalhou Deltan na conversa.

Deltan alertou, em seguida, para a possibilidade de a estratégia levantar suspeitas. “É bem possível que um dia ela [Fernanda Cunha, da Star Palestras] seja ouvida sobre isso pra nos pegarem sobre gerenciarmos empresa”, disse. “Se chegarem nesse grau de verificação é pq o negócio ficou lucrativo mesmo rsrsrs. Que veeeenham”, respondeu Pozzobon.

Insatisfação na força-tarefa

As mensagens mostram, ainda, que, poucos antes do primeiro ano da Operação Lava Jato, em fevereiro de 2015, a dedicação de Deltan a cursos e viagens gerava um descontentamento entre colegas da Procuradoria em Curitiba. Em uma conversa, o procurador tentou se justificar, dizendo que suas atividades compensavam um prejuízo financeiro causado pela Lava Jato.

“Essas viagens são o que compensa a perda financeira do caso, pq fora eu fazia itinerancias [trabalhado extraordinário em que, ao assumir tarefas de outro procurador, é possivel aumentar o valor do contracheque] e agora faria substituições”, escreveu o procurador.

Ele continuou: “Enfim, acho bem justo e se reclamar quero discutir isso porque acho errado reclamar disso. Acho que o crescimento é via de mão dupla. Não estamos em 100 metros livres. Esse caso já virou maratona. Devemos ter bom senso e respeitar o bom senso alheio”, completou.

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