Connect with us

Destaque

Pesquisa revela mecanismo inédito que pode ser usado para tratar doença de Chagas

Published

on

E nessa busca por achar um conjunto de moléculas que atue de forma direcionada para tratar a doença, os cientistas tiveram resultados promissores com três entre 200 disponibilizadas pela farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK) por meio do fórum global criado pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) para compartilhamento de conhecimento entre centros de pesquisa e empresas – a infraestrutura disponível e expertise da equipe permitem ao CNPEM integrar o programa.

Antes de solicitar o conjunto de 200 moléculas da indústria, o pesquisador Artur Cordeiro conta que já desenvolvia há anos um trabalho de busca de moléculas para ação específica em uma enzima alvo do protozoário. Foram testados 30 mil componentes do banco do próprio CNPEM, em um laboratório de biologia automatizado, e em uma comparação virtual com resultados da farmacêutica, eles observaram semelhanças entre as moléculas.

“A gente faz esse tipo de experimento com moléculas sintéticas e naturais. Nesse caso da doença de Chagas, casou de ter moléculas muito parecidas com as moléculas da indústria. A gente estava testando direto na proteína alvo, e eles testando nos parasitas. E quando a gente viu que eram parecidas, a hipótese apareceu. Eles mandaram, e nós confirmamos”, destaca Cordeiro.

Muitas das moléculas disponibilizadas pela indústria farmacêutica são conhecidas por ela há vários anos, algumas da década de 1960, mas não havia o desenvolvimento ou interesse de produzir medicamentos para doenças negligenciadas.

Essa abertura, acesso às informações e compartilhamento de conhecimento pode mostrar que a solução para o tratamento da doença de Chagas, por exemplo, poderia estar na prateleira e ninguém sabia. “A solução podia estar armazenada na prateleira da indústria e nunca ia ter acesso a isso. Essa colaboração está abrindo novas possibilidade”, reforça Cordeiro.

Isso porque o conjunto de moléculas disponibilizado para teste já mostrava-se promissor ao impedir a replicação do parasita, só que não sabia-se como elas, de fato, agiam.

“O problema desse experimento inicial da indústria é que eles avaliaram a capacidade de replicação do parasita, mas não sabem como essa molécula bloqueia esse fenômeno. É como se eu te desse antitérmico, você toma, mas não sabe no que ele está agindo, só sabe que acabou a febre. O que a gente identificou foi o possível mecanismo de ação para três dessas moléculas que eles acreditam pode ter potencial para desenvolver um fármaco para Chagas”, explica Cordeiro.

“Hoje você consegue, sabendo qual é o mecanismo de ação das moléculas, olhar se o hospedeiro, o humano, também possui aquelas vias, e você consegue avaliar se existem diferenças entre esses alvos, essas enzimas, que poderiam ser exploradas para o desenvolvimento de uma molécula que atue especificamente em uma enzima do parasita. É um conceito de seletividade. Se você tem uma molécula que atua só sobre a enzima málica do parasita, você bloqueia aquele metabolismo de aminoácido no parasita, sem afetar o metabolismo do hospedeiro. Isso causa menor toxicidade, menores efeitos colaterais. Esse é um conceito importante”, ressalta o pesquisador Gustavo Mercaldi, que colabora com o trabalho.

Além de Cordeiro e Mercaldi, a pesquisadora Marjorie Bruder, do LNBio, também integra o trabalho.

Fases da doença

A doença de Chagas possui duas fases bem definidas. A aguda, que se estende entre 20 e 30 dias depois que a pessoa entrou em contato com o parasita, e a fase crônica, quando o parasita busca refúgio em células musculares, principalmente do coração e tubo digestivo. A ação das moléculas ocorre justamente para inibir o metabolismo da enzima málica, que faz parte do metabolismo de aminoácidos, fundamental para a replicação do parasita dentro da célula do hospedeiro.

“Na fase aguda, o parasita está circulando na corrente sanguínea, ele ainda não invadiu nenhuma outra célula. Nessa fase, o nosso sistema imunológico é capaz de combater o parasita, e por isso você tem a reação de ter febre, o edema no local da picada, ter toda a reação, é o seu organismo combatendo o parasita. Nesse momento, ele busca refúgio dentro das células da sua musculatura, evitando a ação do sistema imune”, explica Artur Cordeiro.

O pesquisador detalha que enquanto está na corrente sanguínea, o parasita absorve a glicose que a gente usa. Ao entrar na célula, ele começa a usar outras forças de energia, os aminoácidos. E esse processo, fundamental para a replicação do parasita, que as moléculas mostraram-se promissoras em inibir.

Cientistas do CNPEM avançaram no entendimento do mecanismo de ação de moléculas promissoras para tratamento da Doença de Chagas — Foto: CNPEM/Reprodução

Próximos passos

A parte colaborativa do projeto foi concluída com a descoberta e descrição da ação das moléculas na enzima alvo, e todo o conhecimento é de domínio público. Ou seja, tanto a indústria que compartilhou o conjunto de substâncias quanto outras farmacêuticas podem utilizar o caminho para desenvolver fármacos. “Claro que se eles quiserem nossa colaboração, estamos abertos para auxiliar”, pontua Cordeiro.

Paralelamente a isso, a equipe, que já desenvolve esse trabalho há seis anos, analisa outros conjuntos de moléculas, em trabalhos que ainda serão publicados. Um avanço a partir de agora será o uso do Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração instalado no CNPEM.

Para o primeiro trabalho, o pesquisador Gustavo Mercaldi precisou de horas de trabalho no UVX, antigo acelerador de partículas, para conseguir dados que mostrassem as interações entre as moléculas e a enzima em níveis atômicos. Com o Sirius, a expectativa é obter resultados com maior resolução e em um tempo muito menor.

O que é o Sirius?

Principal projeto científico do governo federal, o Sirius é um laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, que atua como uma espécie de “raio X superpotente” que analisa diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas. Além do Sirius, há apenas outro laboratório de 4ª geração de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia.

Para observar as estruturas, os cientistas aceleram os elétrons quase na velocidade da luz, fazendo com que percorram o túnel de 500 metros de comprimento 600 mil vezes por segundo. Depois, os elétrons são desviados para uma das estações de pesquisa, ou linhas de luz, para realizar os experimentos.

Esse desvio é realizado com a ajuda de imãs superpotentes, e eles são responsáveis por gerar a luz síncrotron. Apesar de extremamente brilhante, ela é invisível a olho nu. Segundo os cientistas, o feixe é 30 vezes mais fino que o diâmetro de um fio de cabelo.

Com informações Repórter Beto Ribeiro

Destaque

Acidente em trecho inacabado do Corredor BRT deixa feridos em Campinas

Published

on

Acidente entre dois veículos deixou ao menos três feridos na Av. Camucim, em Campinas (SP), na noite deste sábado (4) — Foto: Luiz Henrique Lisboa

Um acidente entre dois veículos na Av. Camucim, na região do Vida Nova, em Campinas (SP), deixou pelo menos três pessoas feridas na noite deste sábado (4), de acordo com a Polícia Militar. A batida ocorreu próximo da Igreja Congregação Cristã, em trecho inacabado do Corredor BRT.

Um morador que passou pelo local reclamou das condições da via, e diz que obra foi abandonada pela prefeitura. O g1 solicitou posicionamento e o texto será atualizado assim que a administração se manifestar.

De acordo com a Polícia Militar, o acidente ocorreu por volta das 19h20. A informação inicial é de quem um veículo teria atingido outro parado, vindo a capotar no local. Uma das vítimas teria sido socorrida em estado grave por populares ao hospital Ouro Verde.

Segundo o consultor de vendas Luiz Henrique Lisboa, 22 anos, morador da região que acompanhou o atendimento às vítimas, disse que crianças ficaram feridas na batida – a idade das vítimas não foi divulgada pela PM.

Lisboa aproveitou para reclamar do abandono da via, e que o local está perigoso para quem circula de carro ou a pé.

“O Corredor BRT aqui está parado. Na João Jorge, região central, está pronto, funcionando. Só porque aqui o bairro é o Vida Nova, não deu continuidade. Nós queremos que a prefeitura resolva isso, quantos acidentes mais eles esperam até resolver isso”, questionou.

Multa aplicada

Em novembro a administração determinou uma multa no valor de R$ 10 milhões ao Consórcio BRT, responsável pela construção dos corredores de ônibus rápidos na cidade. A administração municipal informou que o motivo é o atraso nas obras no Corredor Ouro Verde.

Ainda segundo o consultor de vendas, após a aplicação da multa, a empresa que operava na região levou os equipamentos embora e o local encontra-se abandonado.

VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região

Continue Reading

Destaque

Covid-19: Campinas abre agendamento para aplicar dose de reforço em vacinados com Janssen

Published

on

Vacinas da Janssen — Foto: Adrià Crehuet Cano/Unsplash

Campinas (SP) abriu, nesta sexta-feira (3), o agendamento para aplicação da dose de reforço em vacinados com o imunizante da Janssen contra a Covid-19. De acordo com a Secretaria de Saúde, pelo menos 31,7 mil moradores receberam a vacina da fabricante Johnson&Johnson na metrópole.

A prefeitura totaliza 65.783 vagas disponíveis no sistema, também aberto para quem já recebeu a segunda dose de vacina da Coronavac, Pfizer ou Astrazeneca há pelo menos quatro meses.

A escolha do dia, horário e local de imunização ocorre por meio do site. Conforme explica a Saúde, ao acessar o endereço eletrônico, o morador deve entrar na página destinada às vagas para dose adicional. A partir disso, o sistema vai identificar que a pessoa foi imunizada com a Janssen e direcionar para a marcação.

A dose de reforço será aplicada nas pessoas que receberam a primeira, há pelo menos, dois meses, e em quem tem alto grau de imunossupressão e foi vacinado há 28 dias.

A Secretaria de Saúde vai usar o imunizante da Pfizer, preferencialmente, ou de outra vacina disponível nos postos. Atualmente, Campinas não possui estoque de Janssen.

Como a vacina desta fabricante é de dose única, o reforço significará a segunda dose aplicada nos moradores.

A capital do estado iniciou na terça-feira (30) a aplicação da Pfizer como dose de reforço para quem recebeu Janssen. A Prefeitura de SP afirma que tomou a decisão de vacinar com a Pfizer porque o Ministério da Saúde não entregou doses da Janssen e pela ameaça da nova variante do coronavírus.

Orientação do Ministério da Saúde

O documento não trata do chamado “esquema vacinal”, que é a regra de uso do produto conforme aprovado pela Anvisa.

No caso da Janssen, uma pessoa está “completamente vacinada” com a dose única. Entretanto, a nota técnica cita estudos que apontam queda na proteção e indicam necessidade de nova aplicação.

PLAYLIST: tudo sobre Campinas e Região

Continue Reading

Destaque

Após redução do auxílio emergencial, pessoas trabalham em semáforos de Campinas; veja relatos

Published

on

Desempregados vendem mercadorias nos semáforos de Campinas para garantir sustento

Desempregados vendem mercadorias nos semáforos de Campinas para garantir sustento

Greice Kelly Andrade, de 30 anos, se aproxima dos carros parados no semáforo do cruzamento com a Avenida Júlio Prestes, em Campinas (SP), com um sorriso no rosto, apesar do que tem a dizer. Ela pede ajuda aos motoristas após ter a mercadoria que vende confiscada pela Setec junto a Guarda Municipal: “Você pode abençoar a minha família?”, pergunta.

Mãe de cinco filhos, ela ganhava R$ 1,2 mil como auxiliar operacional nos Correios, em Indaiatuba (SP), mas foi demitida no meio do ano. Sem trabalho, ela passou a vender balas nos semáforos.

Greice não é a única: apesar da Prefeitura de Campinas (SP) não ter um mapeamento oficial sobre o número de pedintes e vendedores ambulantes nos faróis, a administração reconhece que a vulnerabilidade de muitas famílias aumentou, principalmente após a redução da parcela do auxílio emergencial.

Desempregado, Nilson Costa Soares, de 44 anos, comprou uma caixa de balas no dia seguinte após ser demitido da empresa onde trabalhava em agosto do ano passado. Ele trabalha nos semáforos do Centro de Campinas (SP) pensando na mulher, Eliane, e na educação dos filhos, Mateus e Marcos, de 11 e 16 anos:

“Tem gente que não acha que é um trabalho digno. Acham que é de vagabundo. Ás vezes, magoa”, diz.

Ele chega no Centro antes das 8h da manhã com a meta de fazer R$100 por dia. “Peço todo dia para Deus melhorar a situação”, diz. Tanto ele quanto Greice colocam também o número do pix para quem quer ajudar, mas não tem dinheiro na hora da abordagem.

Nilson Costa Soares vende balas nos semáforos do Centro de Campinas (SP) após perder o emprego. — Foto: Reprodução/EPTV

O que diz a prefeitura

A Setec, responsável pela administração e fiscalização com comércio em solo público, diz que a venda de produtos nos semáforos é proibida. Segundo ela, nenhuma autorização é concedida para atuar na região central ou em nenhum semáforo da cidade.

Quando abordados pela primeira vez, os vendedores são orientados a cessar a atividade. Caso haja uma segunda abordagem, a Setec notifica oficialmente a parar o trabalho. Caso haja uma terceira vez, as mercadorias são apreendidas e podem ser retiradas no prazo de 30 dias mediante ao pagamento de uma multa de valor equivalente a 20% do material confiscado.

Para ter autorização, o valor pago por um vendedor ambulante sem ponto fixo, mas com carrinho de mão, é de R$ 94,20 por mês — apenas R$ 6 a mais da meta diária de Nilson.

A administração orienta que moradores à procura de um trabalho formal podem ir aos Centros de Apoio ao Trabalhador e também fazer o cadastro único para ter acesso ao cartão nutrir e receber R$ 98,50 por mês para ir ao mercado. O programa “Recâmbio” oferece ajuda para quem quiser voltar para a terra natal.

Altos e baixos

Greice e Nilson saem de casa em busca de conseguirem um pouco mais do que já tem, mas nem todos os dias trazem resultados. A mulher já chegou a receber uma cesta básica da fonoaudióloga Kátia Blânis.

Os dias são cheios de altos e baixos:

“Às vezes eu acabo me humilhando de uma forma que nem todo mundo vê com bons olhos”, desabafa.

Apesar disso, o sorriso segue estampado no rosto. Ela sempre espera o melhor das pessoas, mesmo quando os motoristas se negam a ouvir o que querem dizer:

“É um diferencial porque as pessoas não precisam saber o que está acontecendo comigo. Se quiserem ajudar, vão ajudar de coração. É um diferencial para eu trabalhar sempre feliz, independente dos problemas”.

Greice Kelly Andrade, mãe de cinco filhos, vende balas no semáforo para garantir o sustento da família em Campinas (SP). — Foto: Reprodução/EPTV

VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement
Advertisement
Advertisement
Advertisement

TAGS

+ VISTOS