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Campinas registra aumento em mortalidade por câncer de mama e especialista alerta para baixo índice de diagnóstico preco…

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Diagnóstico precoce é fundamental para tratamento de pacientes e redução de taxa de mortalidade, alerta especialista — Foto: Getty Images

A taxa de mortalidade por câncer de mama registrada em Campinas (SP) entre 2019 e 2020 foi de 18,5 a cada 100 mil mulheres, de acordo com dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM-Campinas). O índice, que evidencia um aumento na quantidade de óbitos pela doença na metrópole após anos de queda – veja no gráfico abaixo -, está relacionado à baixa cobertura de exames feitos para diagnosticar a enfermidade, segundo a coordenadora da área da mulher em Campinas.

A cidade registrava queda nos indicadores de mortalidade desde o triênio de 2009 a 2011. Entre 2015 e 2017, houve o menor número de mortes da série histórica, de 15,2. Com o último dado, de 2019 a 2020, a metrópole volta ao mesmo patamar de 2000 a 2002, quando o número registrado também foi de 18,5.

“Um fator principal para este aumento é que as mulheres têm procurado menos o diagnóstico precoce. Em Campinas, a cobertura de exames para detectar a doença nas moradoras de 50 a 69 anos deveria ser de, pelo menos, 80%. Em 2019, ano do último índice que temos, a porcentagem estava em 26%“, diz a coordenadora da área da mulher, Miriam Nobrega.

A especialista explica que o câncer de mama é uma doença ligada à modernidade. Com as mulheres incorporando o trabalho e outras atividades ao estilo de vida, dentro de uma rotina cada vez mais acelerada, a ida até locais que ofertam exames para o diagnóstico tende a ser cada vez menos priorizada.

“O alerta que fazemos é que isso não pode ocorrer. Quanto mais cedo a gente descobre [o câncer de mama], mais cedo a gente começa o tratamento e maior é a chance de cura, pois temos lesões menores, que precisam de cirurgias menos invasivas”, alerta Miriam.

Veja histórico da mortalidade por câncer de mama em Campinas
Dados apontam mortes ocorridas a cada 100 mil mulheres
Fonte: Sistema de Informação de Mortalidade (SIM-Campinas)

Pandemia: impactos recentes e futuros

Além da falta da prioridade do exame para detectar o câncer de mama na rotina de parte das mulheres, a pandemia também impactou na procura e oferta de atendimento preventivo. Na avaliação de Miriam, este cenário deve gerar um aumento maior na taxa de mortalidade.

Se as mulheres passaram a evitar saídas para prevenir o contágio pelo coronavírus, há, ainda, o fato de que as vagas para exames de diagnóstico sofreram redução e, em alguns períodos, chegaram a ficar suspensas na metrópole, conforme lembra a especialista.

“Em março de 2020, Campinas ainda ofertava todas as vagas disponíveis, mas veja bem, elas já não eram todas preenchidas, havia falta de procura. Em abril, com a pandemia, essas vagas já foram reduzidas a 20% do total. Em maio, o atendimento teve de ser zerado. Nós voltamos com o atendimento preventivo em agosto de 2020, apenas”, se recorda Miriam.

Na metrópole, o exame para diagnóstico do câncer de mama é ofertado no Hospital do Amor, por meio de duas carretas móveis e na PUC-Campinas. Neste último local, especificamente, a oferta em razão da pandemia foi retomada apenas em dezembro do ano passado.

“A pandemia prejudicou diretamente a saúde das mulheres se nós pensarmos pelo viés do câncer de mama. Os profissionais de saúde tiveram de priorizar esses atendimentos e, quando falamos da redução de vagas ocorrida, foi justamente porque as unidades passaram a ter de manter os pacientes distantes uns dos outros”, pontua Miriam.

A especialista ressalta que o atendimento no período foi suspenso apenas para exames preventivos. As mulheres que já apresentavam lesões nas mamas foram encaminhadas ao tratamento.

Com o período sem oferta de atendimento voltado à prevenção, a coordenadora salienta que muitas mulheres têm chegado às consultas, recentemente, com quadro mais avançado da doença.

“Certamente, essa situação vai impactar diretamente na taxa de mortalidade por câncer de mama em Campinas. Isso ainda não está refletido nos dados que temos até o momento, mas deve aparecer em até cinco anos”, lamenta.

A coordenadora da área da mulher em Campinas, Miriam Nobrega — Foto: Reprodução/EPTV

Perfil, diagnóstico e tratamento

Um levantamento do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) aponta o perfil da mulher diagnosticada com câncer de mama em Campinas. Os dados são referentes ao período de 2010 a 2016, já que as doenças crônicas têm pesquisas feitas em intervalos maiores de tempo.

A incidência média anual de novos casos de câncer de mama na metrópole é de 73,6 a cada 100 mil mulheres. A idade média da paciente diagnosticada com a doença é 60 anos, e 17,4% delas moram na região Leste da metrópole.

O câncer nas mamas é o mais comum entre as campineiras, representando 30% do total de lesões. A enfermidade neste local do corpo é também a que mais mata pessoas do gênero feminino, totalizando 17% dos óbitos.

Veja tipos de câncer maligno que mais matam mulheres em Campinas
Lesões na mama representam 17% das mortes
Fonte: Registro de Câncer de Base Populacional de Campinas (RCBP-Campinas)

O diagnóstico precoce é feito através do rastreamento com a mamografia ou pela investigação de um nódulo suspeito. No caso das mulheres de 40 a 49 anos, o exame deve ser feito anualmente, enquanto que as moradoras de 50 a 69 anos devem procurar atendimento a cada dois anos, segundo Miriam.

A confirmação do câncer de mama só é feita através da biópsia, que é a retirada de um fragmento do tumor. O tratamento depende do estadiamento da doença e do tipo de tumor identificado.

“O recado que fica é para que as mulheres procurem as unidades de saúde dentro do período indicado. Que elas não tenham medo nem de fazer o exame, nem do resultado. Se o resultado não for o que a gente [paciente e especialistas] queremos, a gente vai ofertar uma equipe inteira para ela, formada por técnicos, médicos, enfermeiros e apoio”, finaliza Miriam.

Câncer de mama e mulheres negras

Existe uma tendência de aumento na taxa de mortalidade por câncer de mama entre mulheres negras e pardas. É o que aponta um estudo feito pelo Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) entre 2000 e 2007.

Apesar das mulheres negras e pardas sofrerem, frequentemente, com tumores mais agressivos por conta de questões genéticas, a inclinação à maior taxa de mortes é fomentada por uma disparidade no acesso às políticas de diagnóstico e tratamento da doença.

“Já foi demonstrado que as mulheres pretas são diagnosticadas com tumores mais avançados. O sistema de saúde não está acolhendo corretamente as mulheres sintomáticas para realizar o diagnóstico precoce. […] Mesmo quando são diagnosticadas, as mulheres pretas percorrem um caminho maior e mais penoso do que as brancas para iniciar o tratamento, seja no sistema público ou privado”, explica a professora Diama Vale, autora principal do estudo.

Para a estudiosa, o racismo estrutural pode dificultar o acesso aos serviços de saúde e comprometer a qualidade do atendimento. Dentre os fatores para esta situação, Diama cita o analfabetismo, baixa renda, menor uso de serviços de saúde e dependência maior do sistema. Outras questões são o uso frequente de medicamentos e o homicídio.

“Além de imoral, tais desigualdades geram um custo importante para a sociedade, pois cuidar de câncer é uma atividade muito complexa”, lamenta.

Para procurar a prevenção

Ao longo do mês, em razão do Outubro Rosa – campanha que alerta sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama -, a Prefeitura de Campinas disponibiliza exames de mamografia gratuitos em diversos pontos da cidade. Os locais são:

Centro de Saúde Tancredo Neves

  • 23 de outubro
  • Horário: das 8h às 12h

Cras Campo Belo

  • 25 de outubro
  • Horário: das 13h às 17h
  • 26 a 29 de outubro
  • Horário: das 7h às 17h
  • 30 de outubro
  • Horário: das 8h às 12h

Shopping Parque das Bandeiras

  • 26 de outubro a 5 de novembro
  • De segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, e sábado, das 8h às 12h

Praça da Juventude DIC V

  • 19 a 30 de outubro
  • De segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e sábado, das 8h às 12h

Hospital Santa Tereza

  • 04 a 29 de outubro
  • Toda segunda de manhã quarta-feira à tarde

Durante o atendimento, a mulher precisa apresentar CPF e RG, comprovante de residência e o cartão nacional do Sistema Único de Saúde (SUS).

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Acidente em trecho inacabado do Corredor BRT deixa feridos em Campinas

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Acidente entre dois veículos deixou ao menos três feridos na Av. Camucim, em Campinas (SP), na noite deste sábado (4) — Foto: Luiz Henrique Lisboa

Um acidente entre dois veículos na Av. Camucim, na região do Vida Nova, em Campinas (SP), deixou pelo menos três pessoas feridas na noite deste sábado (4), de acordo com a Polícia Militar. A batida ocorreu próximo da Igreja Congregação Cristã, em trecho inacabado do Corredor BRT.

Um morador que passou pelo local reclamou das condições da via, e diz que obra foi abandonada pela prefeitura. O g1 solicitou posicionamento e o texto será atualizado assim que a administração se manifestar.

De acordo com a Polícia Militar, o acidente ocorreu por volta das 19h20. A informação inicial é de quem um veículo teria atingido outro parado, vindo a capotar no local. Uma das vítimas teria sido socorrida em estado grave por populares ao hospital Ouro Verde.

Segundo o consultor de vendas Luiz Henrique Lisboa, 22 anos, morador da região que acompanhou o atendimento às vítimas, disse que crianças ficaram feridas na batida – a idade das vítimas não foi divulgada pela PM.

Lisboa aproveitou para reclamar do abandono da via, e que o local está perigoso para quem circula de carro ou a pé.

“O Corredor BRT aqui está parado. Na João Jorge, região central, está pronto, funcionando. Só porque aqui o bairro é o Vida Nova, não deu continuidade. Nós queremos que a prefeitura resolva isso, quantos acidentes mais eles esperam até resolver isso”, questionou.

Multa aplicada

Em novembro a administração determinou uma multa no valor de R$ 10 milhões ao Consórcio BRT, responsável pela construção dos corredores de ônibus rápidos na cidade. A administração municipal informou que o motivo é o atraso nas obras no Corredor Ouro Verde.

Ainda segundo o consultor de vendas, após a aplicação da multa, a empresa que operava na região levou os equipamentos embora e o local encontra-se abandonado.

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Covid-19: Campinas abre agendamento para aplicar dose de reforço em vacinados com Janssen

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Vacinas da Janssen — Foto: Adrià Crehuet Cano/Unsplash

Campinas (SP) abriu, nesta sexta-feira (3), o agendamento para aplicação da dose de reforço em vacinados com o imunizante da Janssen contra a Covid-19. De acordo com a Secretaria de Saúde, pelo menos 31,7 mil moradores receberam a vacina da fabricante Johnson&Johnson na metrópole.

A prefeitura totaliza 65.783 vagas disponíveis no sistema, também aberto para quem já recebeu a segunda dose de vacina da Coronavac, Pfizer ou Astrazeneca há pelo menos quatro meses.

A escolha do dia, horário e local de imunização ocorre por meio do site. Conforme explica a Saúde, ao acessar o endereço eletrônico, o morador deve entrar na página destinada às vagas para dose adicional. A partir disso, o sistema vai identificar que a pessoa foi imunizada com a Janssen e direcionar para a marcação.

A dose de reforço será aplicada nas pessoas que receberam a primeira, há pelo menos, dois meses, e em quem tem alto grau de imunossupressão e foi vacinado há 28 dias.

A Secretaria de Saúde vai usar o imunizante da Pfizer, preferencialmente, ou de outra vacina disponível nos postos. Atualmente, Campinas não possui estoque de Janssen.

Como a vacina desta fabricante é de dose única, o reforço significará a segunda dose aplicada nos moradores.

A capital do estado iniciou na terça-feira (30) a aplicação da Pfizer como dose de reforço para quem recebeu Janssen. A Prefeitura de SP afirma que tomou a decisão de vacinar com a Pfizer porque o Ministério da Saúde não entregou doses da Janssen e pela ameaça da nova variante do coronavírus.

Orientação do Ministério da Saúde

O documento não trata do chamado “esquema vacinal”, que é a regra de uso do produto conforme aprovado pela Anvisa.

No caso da Janssen, uma pessoa está “completamente vacinada” com a dose única. Entretanto, a nota técnica cita estudos que apontam queda na proteção e indicam necessidade de nova aplicação.

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Após redução do auxílio emergencial, pessoas trabalham em semáforos de Campinas; veja relatos

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Desempregados vendem mercadorias nos semáforos de Campinas para garantir sustento

Desempregados vendem mercadorias nos semáforos de Campinas para garantir sustento

Greice Kelly Andrade, de 30 anos, se aproxima dos carros parados no semáforo do cruzamento com a Avenida Júlio Prestes, em Campinas (SP), com um sorriso no rosto, apesar do que tem a dizer. Ela pede ajuda aos motoristas após ter a mercadoria que vende confiscada pela Setec junto a Guarda Municipal: “Você pode abençoar a minha família?”, pergunta.

Mãe de cinco filhos, ela ganhava R$ 1,2 mil como auxiliar operacional nos Correios, em Indaiatuba (SP), mas foi demitida no meio do ano. Sem trabalho, ela passou a vender balas nos semáforos.

Greice não é a única: apesar da Prefeitura de Campinas (SP) não ter um mapeamento oficial sobre o número de pedintes e vendedores ambulantes nos faróis, a administração reconhece que a vulnerabilidade de muitas famílias aumentou, principalmente após a redução da parcela do auxílio emergencial.

Desempregado, Nilson Costa Soares, de 44 anos, comprou uma caixa de balas no dia seguinte após ser demitido da empresa onde trabalhava em agosto do ano passado. Ele trabalha nos semáforos do Centro de Campinas (SP) pensando na mulher, Eliane, e na educação dos filhos, Mateus e Marcos, de 11 e 16 anos:

“Tem gente que não acha que é um trabalho digno. Acham que é de vagabundo. Ás vezes, magoa”, diz.

Ele chega no Centro antes das 8h da manhã com a meta de fazer R$100 por dia. “Peço todo dia para Deus melhorar a situação”, diz. Tanto ele quanto Greice colocam também o número do pix para quem quer ajudar, mas não tem dinheiro na hora da abordagem.

Nilson Costa Soares vende balas nos semáforos do Centro de Campinas (SP) após perder o emprego. — Foto: Reprodução/EPTV

O que diz a prefeitura

A Setec, responsável pela administração e fiscalização com comércio em solo público, diz que a venda de produtos nos semáforos é proibida. Segundo ela, nenhuma autorização é concedida para atuar na região central ou em nenhum semáforo da cidade.

Quando abordados pela primeira vez, os vendedores são orientados a cessar a atividade. Caso haja uma segunda abordagem, a Setec notifica oficialmente a parar o trabalho. Caso haja uma terceira vez, as mercadorias são apreendidas e podem ser retiradas no prazo de 30 dias mediante ao pagamento de uma multa de valor equivalente a 20% do material confiscado.

Para ter autorização, o valor pago por um vendedor ambulante sem ponto fixo, mas com carrinho de mão, é de R$ 94,20 por mês — apenas R$ 6 a mais da meta diária de Nilson.

A administração orienta que moradores à procura de um trabalho formal podem ir aos Centros de Apoio ao Trabalhador e também fazer o cadastro único para ter acesso ao cartão nutrir e receber R$ 98,50 por mês para ir ao mercado. O programa “Recâmbio” oferece ajuda para quem quiser voltar para a terra natal.

Altos e baixos

Greice e Nilson saem de casa em busca de conseguirem um pouco mais do que já tem, mas nem todos os dias trazem resultados. A mulher já chegou a receber uma cesta básica da fonoaudióloga Kátia Blânis.

Os dias são cheios de altos e baixos:

“Às vezes eu acabo me humilhando de uma forma que nem todo mundo vê com bons olhos”, desabafa.

Apesar disso, o sorriso segue estampado no rosto. Ela sempre espera o melhor das pessoas, mesmo quando os motoristas se negam a ouvir o que querem dizer:

“É um diferencial porque as pessoas não precisam saber o que está acontecendo comigo. Se quiserem ajudar, vão ajudar de coração. É um diferencial para eu trabalhar sempre feliz, independente dos problemas”.

Greice Kelly Andrade, mãe de cinco filhos, vende balas no semáforo para garantir o sustento da família em Campinas (SP). — Foto: Reprodução/EPTV

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