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Continuam cheias as salas do Centro de Saúde São Bernardo, uma das duas unidades de referência na rede de saúde municipal que priorizam pacientes com dengue em Campinas

Leandro Ferreira/AAN

Continuam cheias as salas do Centro de Saúde São Bernardo, uma das duas unidades de referência na rede de saúde municipal que priorizam pacientes com dengue em Campinas

As estatísticas sobre a dengue em Campinas impressionam. Só neste século, quase 143 mil moradores da cidade (142.999 mais precisamente) contraíram a doença. Do total, mais de dois terços dos casos ocorreram de 2014 para cá. Neste ano, o município volta a enfrentar uma epidemia, com 2.048 pessoas infectadas entre janeiro e a última segunda-feira, de acordo com a Secretaria de Saúde. O número é 15 vezes maior que todos os 301 registros de 2018. É a quinta epidemia do século 21.

A epidemia se caracteriza quando diversos locais começam a apresentar surtos, ou seja, quando ocorre um aumento no número de casos além da normalidade. Às vezes, um surto pode até ser um número pequeno, desde que seja uma situação incomum, como um bairro que nunca teve relatos de determinada doença e passa a contabilizar registros. A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), Andrea Von Zuben, confirma que neste século 21, Campinas teve quatro epidemias de dengue e atravessa a quinta.

“Epidemia é um conceito baseado em estatísticas, que traçam os números de uma série histórica de dez anos, sem contar anos epidêmicos. Quando o número de casos é duas vezes maior que a média, há uma epidemia. Os 2 mil casos de Campinas neste ano representam uma nova epidemia”, explica. De acordo com ela, a dengue é um vírus que se manifesta de forma cíclica, em períodos de três a cinco anos.

Isso explica as oscilações no histórico de casos. Neste século houve ano com apenas 30 casos (2004) e ano com mais de 65 mil (2015). A última grande epidemia de dengue registrada em Campinas foi entre 2013 e 2016. Em 2018, além dos 2.048 casos já confirmados, outros 2.416 estão sendo investigados pelo Instituto Adolfo Lutz, o que tende a aumentar as estatísticas. A conta de 2019 pode crescer amanhã, quando a Secretaria de Saúde deve anunciar novo balanço.

Os reflexos da nova epidemia são visíveis nas duas unidades de referência na rede de saúde municipal designadas pela Prefeitura para priorizar pacientes com dengue. Diariamente, têm ficado lotadas as salas do Centro de Saúde São Bernardo, próximo ao Hospital Mário Gatti, e da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Campo Grande, que fica na região da cidade que concentra quase metade do total de casos confirmados da doença.

Atualmente, é o sorotipo 2 da dengue que tem circulado no Estado de São Paulo. A doença possui quatro variações: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Desde 2010, apenas o sorotipo 1 trafegava pelos municípios paulistas. Von Zuben explica que uma pessoa, quando infectada por um dos tipos do vírus, fica imune a ele, mas não aos outros três. O risco é que pessoas infectadas por subtipos diferentes em um período de seis meses a três anos podem ter uma evolução para formas mais graves da doença. “A dengue possui suas quatro variações que podem fazer uma pessoa adoecer quatro vezes na vida. Quando você adoece por um dos sorotipos, nunca mais adoece por esse tipo, mas continua suscetível a ter dengue pelos outros três. O sorotipo 2 não tem uma circulação relevante em Campinas desde 2009, mas agora voltou a predominar”, alerta.

Mortes

Neste século, 38 moradores de Campinas morreram após contrair dengue. Foram dois óbitos em 2007, três em 2010, um em 2011, 10 em 2014 e 22 em 2015. No último domingo, uma estudante morreu no Hospital Vera Cruz, justamente no dia em que completou 19 anos, também com suspeita de dengue. A Secretaria de Saúde ainda aguarda o resultado dos exames antes de confirmar se esta seria a 39ª vítima fatal da doença na cidade desde 2007.

Prevenção

Especialistas alertam que a única forma de prevenir a dengue é combater os focos que podem virar criadouro do mosquito Aedes aegypti. Algumas dicas são virar garrafas com a boca para baixo; colocar terra nos pratos das plantas; guardar pneus abrigados da chuva; cobrir a caixa d’água; manter o quintal sem poça de água parada e cobrir as piscinas.

Vacina é benéfica apenas para quem já adoeceu

Com a nova epidemia de dengue em Campinas, a procura pela vacina antidengue, lançada há quatro anos, aumentou em até 20% nas clínicas particulares da cidade nas últimas semanas. O custo de uma dose varia de R$ 260 a R$ 290. São recomendadas três doses, com intervalo de seis meses entre elas. Neste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alterou a bula do medicamento Dengvaxia, a vacina antidengue. A alteração é resultado dos dados de um monitoramento de cinco anos sobre o uso da vacina, indicada para os vírus da dengue dos tipos 1, 2, 3 e 4.

A pesquisa realizada pelo fabricante, o laboratório francês Sanofi-Pasteur, demonstrou o benefício da administração da vacina apenas para as pessoas que já tiveram dengue, causada por algum dos quatro subtipos do vírus. Por outro lado, as pessoas que nunca tiveram contato com o vírus apresentam um aumento no risco de hospitalização ou dengue grave quando tomam a vacina e, posteriormente, contraem a doença. Ou seja, o risco de desenvolver um quadro mais grave, nestes casos, é maior. Agora, a vacina é contraindicada para quem nunca teve dengue. 

Escrito por:

Renato Piovesan

Fonte: RAC

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