As bandeiras do Independente de Limeira, onde começou a carreira, e do Flamengo, onde estava desde 2015, cobrem o caixão de Rikelmo

Denny Cesare/Estadão Conteúdo

As bandeiras do Independente de Limeira, onde começou a carreira, e do Flamengo, onde estava desde 2015, cobrem o caixão de Rikelmo


Com um misto de tristeza e inconformismo, parentes e amigos se despediram de Rykelmo de Souza Viana, jovem de Limeira que morreu no incêndio no Ninho do Urubu, o Centro de Treinamento do Flamengo, no Rio de Janeiro, na última sexta-feira. O velório e o sepultamento do garoto de 16 anos, que teve o corpo carbonizado, ocorreram na manhã de ontem, no Cemitério Parque, em Limeira. 

A cerimônia foi acompanhada por pessoas com camisetas com o nome do atleta e também do Independente de Limeira, um dos primeiros times defendidos pelo garoto nas categorias de base. O enterro estava previsto para as 10h, mas foi adiado para o meio-dia para que familiares e conhecidos de outras cidades pudessem chegar a tempo. Mãe de Rykelmo, Rosana de Sousa chegou a dizer que foi angustiante ter de viajar às pressas ao Rio logo que soube da notícia, para reconhecer o corpo de seu filho.

Rykelmo iniciou sua carreira no futebol na escolinha do Clube Atlético Paulistano, de Limeira, quando tinha 6 anos. Depois, ele jogou na categoria Sub-11 do Independente, time da cidade que disputa competições oficiais da Federação Paulista de Futebol (FPF). Antes de completar 13 anos, o limeirense foi descoberto por um olheiro do Flamengo, que o levou ao Rio, onde passou a vestir a camisa rubro-negra e viver no Ninho do Urubu de 2015 para cá.

O corpo de Rykelmo foi um dos últimos a ser enterrados. Isso porque o Instituto Médico Legal (IML) teve dificuldades para indetificá-lo através da análise de imagens de sua arcada dentária — ele foi um dos mais atingidos pelo fogo — e só confirmou sua identidade na noite de sábado. Além de Rykelmo, também foram sepultados ontem os corpos de Jorge Eduardo Santos, em Além Paraíba (MG); Athila Paixão, em Lagarto (SE), Gedson dos Santos, em Itararé (SP) e Samuel Thomas de Sousa Rosa, em São João do Meriti (RJ). Ao todo, a tragédia no Ninho do Urubu deixou dez mortos.

Responsabilidades

Em reunião realizada na tarde de ontem na sede do Ministério Público do Rio de Janeiro, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, afirmou que o “Flamengo assumiu todas as suas responsabilidades” diante da tragédia e se comprometeu a indenizar “o mais rápido possível”. O acordo será costurado junto à Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, o que não significa que dirigentes do clube não possam ser responsabilizados criminalmente pelo incêndio. Hoje, o Ninho do Urubu deverá passar por vistoria e poderá ser interditado.

O defensor público Geral do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Pacheco, explicou que a indenização não será apenas financeira. “Haverá também acompanhamento psicológico, social e de saúde”, explicou. “O Clube de Regatas do Flamengo se comprometeu a compor uma câmara de conciliação, junto com a Defensoria Pública, o MPE-RJ e o do Trabalho a fim de que não só os atletas sobreviventes, mas os familiares principalmente tenham uma justa e rápida indenização.” (Com Agência Estado)

Um dos sobreviventes recebe alta

Um dos três sobreviventes do incêndio que matou dez pessoas no CT do Flamengo na última sexta-feira, Cauan Emanuel deixou o hospital particular na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, onde estava internado, no final da tarde de ontem. Ele saiu por uma entrada lateral do hospital sem ser visto pela imprensa.

O empresário do atleta, Wanderley Nogueira, disse que Cauan dormiria num hotel disponibilizado pelo Flamengo. Hoje, ele deverá ir para a casa dos pais, em Fortaleza. Nogueira disse também que policiais chegaram a pegar o depoimento do jovem ontem, no hospital. A investigação está sendo conduzida pela 42ª Delegacia de Polícia, no Recreio, zona oeste do Rio.

Outro jogador da base do Flamengo que está internado na mesma instituição, Francisco Dyogo, segundo o Flamengo, “segue em curva de melhora, mas continua com demandas ventilatórias de oxigênio e ainda precisa de suporte com cateter nasal”, informou o clube, que acrescentou que, “por conta disso permanece internado no CTI”. (Estadão Conteúdo)

Escrito por:

Renato Piovesan


Fonte: RAC

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