Foco de criadouro do mosquito da dengue em terreno baldio de Campinas (SP) — Foto: Reprodução/EPTV Foco de criadouro do mosquito da dengue em terreno baldio de Campinas (SP) — Foto: Reprodução/EPTV

Foco de criadouro do mosquito da dengue em terreno baldio de Campinas (SP) — Foto: Reprodução/EPTV

Os gastos diretos de Campinas (SP) no combate às arboviroses, incluindo a dengue, diminuíram 18% entre 2016 e o ano passado, segundo dados fornecidos ao G1 pela Prefeitura, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Além disso, no mesmo período, a administração perdeu 34 agentes comunitários de saúde, que trabalham em uma série de ações para prevenção. A cidade registra epidemia neste ano, com 11,3 mil moradores infectados e duas mortes provocada pelo vírus.

O levantamento da administração indica que o valor aplicado diminuiu R$ 1,5 milhão no intervalo considerado: o total passou de R$ 8,7 milhões para R$ 7,2 milhões. Veja gráfico com dados contabilizados desde 2014, quando a metrópole teve a segunda maior epidemia na história.

Gastos diretos para combater arboviroses em Campinas
Dados comparam valores anuais aplicados entre 2014 e 2018.
Fonte: Prefeitura de Campinas (via LAI)

O Plano Municipal de Contingência para o Enfrentamento das Arboviroses, de acordo com o governo, inclui seis componentes de atuação da Saúde: vigilância epidemiológica, combate ao vetor, assistência ao paciente, educação e mobilização social, além de comunicações e gestão.

A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas, Andrea Von Zuben, alega que a metrópole precisou focar o direcionamento de recursos para tratar pacientes em 2014 e 2015, enquanto que, após reavaliação do planejamento, as receitas foram priorizadas em trabalhos que visam efetivamente combater o mosquito Aedes aegypti, vetor da doença, entre outras ações.

“Havia menos capacidade de controle vetorial”, avalia ao ponderar sobre um dos fatores que se reflete nas finanças. Em 2015, a metrópole teve 65.245 casos autóctones (infecção na própria cidade) e outros 406 importados (picada do mosquito em outro município), segundo o estado.

A diretora do Devisa em Campinas, Andrea Von Zuben — Foto: Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas A diretora do Devisa em Campinas, Andrea Von Zuben — Foto: Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas

A diretora do Devisa em Campinas, Andrea Von Zuben — Foto: Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas

De acordo com ela, a redução de casos da doença nos anos posteriores permitiu mudanças nos investimentos, entre eles, o uso da nebulização. Segundo ela, o item demanda valor expressivo e o poder público precisa nortear os gastos considerando-se o princípio da economicidade.

“Se há casos, fazemos bloqueio da transmissão, controle de criadouros, caso contrário gastamos menos, o que é efetivamente usado[…]. Nebulização basicamente não foi usada, porque não fazia sentido e o gasto foi menor […]. Insumos e medicamentos é a mesma coisa, a gente trabalha com registro de preços. Fazemos um plano de contingência, com uma estimativa do número máximo de casos, e só pedimos o que efetivamente devemos usar”, ressalta a diretora do Devisa.

Em virtude da epidemia deste ano, a Prefeitura projeta gastar até dezembro R$ 10,5 milhões, dos quais pelo menos R$ 1,6 milhão já foram aplicados até a primeira quinzena de abril.

Aedes aegypti — Foto: Rodrigo Méxas e Raquel Portugal/Fundação Oswaldo Cruz/Divulgação Aedes aegypti — Foto: Rodrigo Méxas e Raquel Portugal/Fundação Oswaldo Cruz/Divulgação

Aedes aegypti — Foto: Rodrigo Méxas e Raquel Portugal/Fundação Oswaldo Cruz/Divulgação

“Esse ano a gente conseguiu segurar o processo epidêmico até o fim de março, o que reflete os investimentos”, afirma Andrea ao ponderar que a quantidade de casos neste ano é expressiva, mas distante dos totais contabilizados nas epidemias de 2015 e 2016.

De acordo com ela, as epidemias costumam ocorrer por dois anos e, com isso, a expectativa é de investimento semelhante em 2020.

No despacho incluído junto aos dados via LAI, a administração diz que “muito mais foi dispendido”, em virtude de custos indiretos, entre eles, salários de servidores (técnico e operacional), veículos, material educativo, ações de comunicação com a população, atendimento à população (prevenção e assistência aos doentes), além de despesas laboratoriais, custos administrativos para registro de dados, produção de informação e avaliações. O total, entretanto, não é mencionado no texto.

Perda de agentes

Campinas deixou de contar no período 2016-2018 com 34 agentes comunitários de saúde na chamada “equipe antidengue”, segundo o levantamento. A diferença, por outro lado é ampliada para 48 quando são considerados os dados de 2015 no comparativo e corresponde a 6,4%.

A diretora do Devisa admite a importância dos trabalhos realizados pelos agentes e admite que a redução ocorreu porque os servidores deixam a função, em busca de melhores oportunidades de mercado. Diante da epidemia, explica, o governo já contratou 48 profissionais este mês.

“A gente tem aberto concursos, mas tem burocracia”, explica sobre a dificuldade ao salientar que o nível de escolaridade exigido para a função é fundamental. Segundo ela, os agentes comunitários atuam em atividades educativas, busca por criadouros do mosquito e trabalhos de casa a casa.

Número de agentes comunitários de saúde
Dados comparam total de funcionários entre 2014 e 2018.
Fonte: Prefeitura de Campinas (via LAI)

De acordo com Andrea, 1 mil funcionários atuam nos trabalhos diretos antidengue, incluindo agentes de controle de endemias – denominação do Ministério da Saúde – mas que em Campinas se divide entre agente de controle ambiental ou agente de apoio do controle ambiental.

“Eles fazem exclusivamente controle dos determinantes ambientais do adoecimento. […] Nosso agente [Vigilância em Saúde] é aquele que trabalha com larvicida, organiza nebulização, ele é mais exclusivo”, explica sobre as diferenças de atuação.

Além disso, ela reforçou que o combate à dengue não pode ser restrito ao poder público. “A gente pode ter 10 mil funcionários, mas, se a população não colaborar, não adianta”, rebateu.

Prevenção

No início de março, a Prefeitura de Campinas divulgou medidas e cuidados para a população evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da dengue:

  • Evitar acúmulo de água em latas, pneus e outros objetos;
  • Vasos de flores devem ter a água trocada a cada dois dias;
  • As caixas d’água e outros recipientes usados para armazenar o líquido devem ser vedados;
  • Vasos sanitários inutilizados devem permanecer fechados.

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