Produção de máscaras em Batatais conta com a participação de professores e de equipamento da unidade do Centro Paula Souza

Escolas Técnicas (Etecs) e Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais estão unidas aos muitos voluntários que, por todo o País, buscam colaborar com soluções para o combate ao novo coronavírus. Confecção de máscaras para profissionais da saúde, conserto de equipamentos hospitalares e produção de álcool em gel são algumas das ações que mobilizam professores e alunos em todo o Estado.

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Os resultados mostram que a importância das unidades do Centro Paula Souza (CPS) vai além da formação de profissionais qualificados para o mercado de trabalho. A partir desta semana, um grupo de dez voluntários da Fatec Sorocaba começou a orientar o conserto de ventiladores usados no tratamento da COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus.

“A Toyota nos procurou porque eles têm espaço e pessoal para fazer esses consertos, mas falta know-how”, conta o diretor da unidade, Luiz Rosa. “Nós vamos orientar essa manutenção”, completa.

Além disso, os professores que se voluntariaram para buscar soluções agora tentam desenvolver um meio de construir um duplicador para os respiradores, para que cada equipamento possa ser usado por dois pacientes. “Nós sabemos que é possível, mas ainda estamos buscando a melhor forma de fazer”, salienta o gestor.

Protótipo

Na Fatec Taubaté, docentes voluntários fizeram um protótipo de uma máscara para profissionais de saúde e aguardam a validação do modelo para iniciar a produção. Eles estão desenvolvendo também, como parte de um grupo que conta com outras instituições de ensino, empresas e makers, um respirador alternativo.

“É impossível homologar esse aparelho a tempo, mas, na falta do respirador, os hospitais teriam esse equipamento provisório”, afirma o coordenador do curso de Eletrônica da faculdade, Michel Robert Veiga.

A Fatec São Sebastião aguarda doação de material pela Prefeitura para iniciar a produção de máscaras de acetato. Em Batatais, professores da Etec Antonio de Pádua Cardoso lideram uma iniciativa que já conta com o apoio de um grupo de empresários da região. A escola cedeu sua impressora 3D à empreitada e já foram montadas mais de 500 máscaras de acetato, doadas à Santa Casa e à prefeitura da cidade. Além disso, foram confeccionadas mais de 1,3 mil toucas que também se destinam a profissionais de saúde.

No último fim de semana, a Etec Bento Quirino, de Campinas, conseguiu preparar as estruturas de 40 máscaras hospitalares usando suas impressoras 3D. O modelo foi retirado de um dos muitos grupos que compartilham instruções para a confecção dessas peças na internet. A unidade tem capacidade para produzir 30 máscaras por dia. Os voluntários aguardam doação de acetato para terminar a montagem.

“Nós entramos em contato com a Comissão de Monitoramento da COVID-19 de Campinas e as máscaras serão doadas à comissão, que fará a distribuição para os hospitais” enfatiza o diretor da Etec, Luis Eduardo Gonzalez.

Química

Em outra frente de atuação, diversas unidades conseguiram produzir álcool em gel em seus laboratórios. Em fevereiro, na Etec Conselheiro Antonio Prado, de Campinas, ao abordar a temática da COVID-19, a professora Paula Cristina da Silva Fernandes, que é farmacêutica, ensinou os alunos a fazer álcool em gel 70%.

Os 25 litros obtidos nos laboratórios foram usados na escola. Ao lado de outros dois voluntários, a docente voltou ao laboratório no final de março e fabricou outros 25 litros, entregues a funcionários terceirizados e doados ao Centro de Saúde Santa Mônica.

A Etec Professora Carmelina Barbosa, de Dracena, recebeu o álcool 96% de duas usinas (alcooleiras) da região. “Essa matéria-prima é transformada em álcool 70% e convertida em gel”, explica o diretor da escola, José Geraldo de Souza. Cada litro de álcool se transforma em, aproximadamente, 1,1 quilo de álcool em gel. Parte da produção foi doada a professores e funcionários terceirizados e outra parte, à Santa Casa de Dracena.

A falta de álcool em gel nas prateleiras de supermercados e farmácias também sensibilizou uma equipe de professores voluntários da Etec Amin Jundi, de Osvaldo Cruz. Com a matéria-prima que conseguiram, produziram 50 quilos de álcool em gel e uma parcela da produção foi doada ao Asilo São Vicente de Paulo.

Além disso, cerca de mil máscaras que serviriam para uso de alunos e professores em atividades laboratoriais foram cedidas à Secretaria de Saúde e Medicina Preventiva do município.

Doação

Na Fatec Capão Bonito, dois auxiliares de ensino já criaram, voluntariamente, a metodologia de produção de álcool em gel e fizeram testes, obtendo pouco mais de cinco quilos do produto. Empresários da região doaram 200 litros de álcool e a unidade está buscando as demais matérias-primas para produzir o gel, que será doado à Ação Social da cidade e encaminhado à população de baixa renda.

As Etecs Pedro D’Arcádia Neto (Assis), João Maria Stevanatto (Itapira), Benedito Storani (Jundiaí), Professor Alcídio de Souza Prado (Orlândia), Praia Grande e João Elias Margutti (Santa Cruz das Palmeiras) produziram álcool para consumo interno das unidades, antes do início da quarentena.

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