Região no Centro onde foi encontrado o corpo de Luiz Antonio Silveira, de 60 anos, que havia sido encaminhado recentemente ao hospital por complicações do alcoolismo

Matheus Pereira/Especial para a AAN

Região no Centro onde foi encontrado o corpo de Luiz Antonio Silveira, de 60 anos, que havia sido encaminhado recentemente ao hospital por complicações do alcoolismo

Dois moradores em situação de rua foram achados mortos em Campinas ontem. Um deles dormia na calçada da esquina da Avenida dos Expedicionários com a Campos Sales, no Centro. O outro, em frente à igreja São Francisco de Assis, no Jardim Satélite Íris. A principal suspeita da causa das mortes é hipotermia. Caso sejam confirmadas, serão as primeiras mortes provocadas pelo frio este ano em Campinas. Durante a madrugada, segundo o registro do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, a temperatura mínima chegou a 11,2°C às 2h.

O primeiro corpo encontrado foi o de Luiz Antonio Silveira, de 60 anos. O outro é de Almir Ferreira Leite, 64 anos. Segundo a Secretaria de Assistência Social, ambos eram atendido e acompanhado pelas equipes do SOS Rua e Consultório na Rua. Silveira esteve internado no Hospital Beneficência Portuguesa por conta do quadro grave ocasionado pelo alcoolismo, no entanto, rejeitou as ofertas de atendimento e acolhimento. Seu corpo foi achado por um colega de rua, no final da madrugada.

Os casos foram registrados no Serviço de Verificação de Óbito (SVO) como mortes naturais e, ao se confirmarem os óbitos por hipotermia, serão feitos boletins de ocorrência (BO) na Polícia Civil.

Segundo a polícia, no corpo encontrado no Centro não havia sinais de violência, o que reforça a suspeita de hipotermia. Silveira foi encontrado debaixo de cobertores, na esquina das avenidas dos Expedicionários com Campos Sales. “Acordei na madrugada com uma chuva fina e vi que o Luiz estava logo ali, ao relento, tomando chuva. Então fui até ele, pedir para que viesse para aqui debaixo da marquise, mas ao tocar nele, percebi que estava gelado”, contou o morador em situação de rua, Valmor José Cerqueira, de 61 anos.

De acordo com o grupo que dorme no mesmo local, Silveira era do distrito de Sousas e morava há cerca de 15 anos nas ruas de Campinas por conta do alcoolismo. Nos últimos tempos, segundo eles, a vítima estava bastante debilitada. “Acredito que o frio contribuiu para sua morte mais rápido, pois ele estava muito fraco no domingo à noite e não conseguia nem segurar o cigarro”, disse outro colega, Itamar Grite, que afirma ter ligado para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para pegá-lo. “Não veio ninguém porque já sabem como ele é. A ambulância o levava, mas quando chegava no hospital, ele descia e ia embora sem aceitar atendimento. Mas mesmo assim deveriam ter vindo”, falou.

O corpo de Almir Ferreira Leite foi achado por volta do meio-dia, por um homem que passava pelo local e chamou a Polícia Militar. Não havia marcas de violência. Segundo a Secretaria de Assistência Social, Leite era dependente de álcool e também recusou assistência dos programas públicos.

No ano passado, dois moradores em situação de rua foram encontrados mortos, um em julho e outro no mês de outubro, também por causa das baixas temperaturas.

Operação

Segundo a Prefeitura, da última vez que Silveira foi hospitalizado, recuperou-se e, apesar de ter parentes em Sousas, preferia permanecer na rua. “Diversas tentativas de retirada das ruas também foram feitas pelos parentes, sem sucesso”, enfatizou em nota.

A Secretaria de Assistência Social informou que neste período de temperaturas mais frias, é realizada a Operação Inverno, que neste ano vai até o dia 30 de setembro. Com isso, o horário noturno para abordagem da população em situação de rua é ampliado em duas horas, até a meia-noite. “Neste período o SOS Rua intensifica suas ações, percorrendo os itinerários (e atendendo a solicitações) onde há maior concentração de pessoas que vivem em situação de rua. Eles recebem medidas protetivas de orientação, acolhimento ou encaminhamento aos serviços”, informou.

O Albergue Municipal, denominado Samim (Serviço de Atendimento ao Migrante, Itinerante e Mendicante) funciona 24 horas no Inverno. Além do pernoite, o Samim oferece jantar, café da manhã e material de higiene pessoal às pessoas em situação de rua, facilitando o acesso emergencial a outros serviços da rede pública municipal.

Campinas conta também com a Campanha do Agasalho, que foi prorrogada até o dia 30 deste mês. Segundo a Prefeitura, já foram arrecadadas seis toneladas de roupas com um aumento da arrecadação de roupas masculinas.

Para solicitar atendimento às pessoas em situação de rua que requerem cuidados, basta ligar para o SOS Rua (19) 99984-6496 até as 21h.

Escrito por:

Alenita Ramirez

Fonte: RAC

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