O muro do CEI do Jardim São José II virou atração na comunidade da periferia de Campinas

Leandro Ferreira/AAN

O muro do CEI do Jardim São José II virou atração na comunidade da periferia de Campinas


Numa ação voluntária que mobilizou professores, diretores da escola e artistas plásticos, o Centro Educacional Infantil (CEI) Annita Affonso Ferreira ganhou um novo muro que, de quebra, deu vida nova, mais colorida, aos moradores do Jardim São José II, em Campinas. Tudo começou por um motivo que gerou apreensão no bairro nos últimos anos. Não foram poucas as vezes que escorpiões foram avistados dentro da creche, que atende crianças de zero a seis anos.

O CEI fica próximo a um córrego e também a um depósito de entulhos. Para minimizar a ameaça dos escorpiões aos alunos da creche, a diretora da escola Andrea Ruffo separou parte da verba destinada pela Prefeitura para manutenções e providenciou a reforma completa do muro de concreto de 485 metros quadrados no fim de 2018.

Por orientação da Vigilância Sanitária e de secretarias municipais que inspecionaram a área, o muro ainda foi pintado com uma tinta branca escorregadia, que não permite que aracnídeos ou insetos o escalem. O problema já estava resolvido e mães e pais voltaram a respirar tranquilos, mas no último sábado um grupo de 13 artistas plásticos tratou de dar uma cara nova ao muro, que passou a receber artes em grafite e se tornou uma das atrações da comunidade, que convive em meio à pobreza e falta de infraestrutura. Ao invés de escorpiões, agora estão retratados no muro — e só em desenho — bichos “inofensivos” como joaninhas, centopeias e abelhas, além de artes que lembram o meio ambiente.

O artista plástico e diretor de arte do projeto, Victor Marques, conta que o trabalho tem envolvido moradores de todo o bairro e tem como pano de fundo uma reflexão sobre os riscos que o acúmulo de lixo podem trazer à população, como a aparição dos próprios escorpiões. “Esse projeto nasceu diante de uma problemática de saúde pública, um muro que foi erguido para conter a aparição de escorpiões. É um trabalho voluntário, mas recebi muito aprendizado de vida. Vai muito além da tinta no muro”, conta Marques, que contou com auxílio da professora de Artes da escola, Adriana Fernandes, além dos artistas plásticos Israel Maia Júnior, Poliana Nunes, Gabriel Pinheiro, Ronaldo Toledo, Alan Queiroz, Victor Marques, Elber Jr., Nihao, Benson, Carolina Manente, Renan Stuchi e Walter Linares.

A diretora Andrea Ruffo destaca que o trabalho tem como objetivo unir a comunidade. “A gente cuida dos filhos desta comunidade, mas é a própria comunidade que deve se beneficiar com o todo. Este trabalho que estamos fazendo tem o intuito de atrair o bairro para a escola através da arte”, comemora. De acordo com a supervisora educacional Eliana Nunes da Silva, as primeiras cores em grafite no novo muro já mudaram a rotina do Jardim São José II. “É uma escola no meio da periferia. Com a pintura, toda comunidade se envolveu”, comemorou. No próximo dia 23, voluntários voltarão à creche para uma oficina de artes em grafite gratuita à população.

Juiz estende a prisão de dois pichadores detidos

O juiz da 5ª Vara Criminal de Campinas estendeu por mais cinco dias, a prisão temporária dos dois pichadores presos na semana passada por policiais civis do 10º DP. A ampliação no prazo foi a pedido do delegado Cássio Vita Biazolli, para identificar o terceiro comparsa, que aparece nas imagens gravadas pelo sistema de um dos edifícios alvos do vandalismo.

A expectativa dos policiais civis é conseguir na Justiça a prisão preventiva, mas para isso é necessário o reconhecimento dos suspeitos. Segundo o chefe de investigação, Marcelo Hayashi, após a prisão dos pichadores, ao menos dois síndicos da região do Jardim Proença procuraram a delegacia para comunicar sobre pichação.

“As vítimas não fazem boletim de ocorrência por desacreditarem na Justiça, mas é importante que façam sim, para que a polícia investigue e identifique os responsáveis”, disse Hayashi. Como é um crime de menor potencial, atualmente, os envolvidos em pichação respondem pelo crime em liberdade.

Na madrugada do último sábado, três homens, sforam detidos pela Guarda Municipal (GM), quando pichavam o alto de um edifício na Rua Uruguaiana. (Alenita Ramirez/AAN)

Escrito por:

Renato Piovesan


Fonte: RAC

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