Em Campinas, mais ricos têm pelo menos 3 vezes mais chances de emprego perto de casa

Em Campinas, mais ricos têm pelo menos 3 vezes mais chances de emprego perto de casa

Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) aponta que, em Campinas (SP), o grupo da população classificado entre os mais ricos tem pelo menos três vezes mais chances de conseguir emprego perto de casa.

O relatório de desigualdades socioespaciais de acesso a oportunidades avaliou as vinte maiores cidades brasileiras e apontou que, em Campinas, a população mais pobre encontra menos de 5% das oportunidades de trabalho em lugares onde é possível chegar a pé, a 30 minutos de casa.

De acordo com o economista Paulo Oliveira, do Observatório PUC-Campinas, o que o estudo do IPEA mostra é uma situação que não é totalmente explícita, mas que reflete uma prática comum na seleção de candidatos.

“Em geral, o cálculo na escolha dos candidatos tende a considerar a questão a distância, já que isso diminui o risco de falta no trabalho, diminui os gastos com transporte, diminui, enfim, o cansaço do funcionário. Isso tende a impactar na seleção”, afirma.

Anderson Gonçalves de Freitas mora distante da região central de Campinas e sofre à procura de emprego — Foto: Reprodução/EPTVAnderson Gonçalves de Freitas mora distante da região central de Campinas e sofre à procura de emprego — Foto: Reprodução/EPTV

Anderson Gonçalves de Freitas mora distante da região central de Campinas e sofre à procura de emprego — Foto: Reprodução/EPTV

O que os dados mostram, o vidraceiro Anderson Gonçalves de Freitas conta que sente na pele. Ele mora no Residencial Sirius, a 16km da região central de Campinas, e busca uma oportunidade de trabalho há quatro anos.

“Todos os dias eu passo em outros bairros, às vezes até em cidades vizinhas, para conseguir outras oportunidades. Eu vou tentando até… não pode desanimar”, diz.

“É um ciclo vicioso. As pessoas mais pobres, com menos renda, tendem a morar em regiões mais afastadas. E por estarem em regiões mais afastadas, elas têm menos acesso às oportunidades de emprego. É uma questão de justiça social. Se a gente quer falar de meritocracia, a gente primeiro precisa discutir o acesso às oportunidades”, completa Oliveira.

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