Documentos foram endereçados ao prefeito Jonas Donizette e secretários

ADAMO BAZANI

O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Campinas e Região enviou nesta quinta-feira, 26 de março de 2020, mais um ofício ao prefeito Jonas Donizette e secretários municipais de Campinas.

A entidade se diz preocupada com a situação dos trabalhadores diante dos impactos em relação ao avanço do coronavírus.

No primeiro documento, assinado pelo vice-presidente do sindicato, Izael Soares de Almeida, são pedidas duas mil doses da vacina para prevenir H1N1 (gripe) para os trabalhadores que seriam aplicadas nas garagens.

Já no ofício desta quinta-feira, o sindicato reforça o pedido de manutenção de garantias de empregos e pagamento de salários.

O prefeito determinou, por meio de decreto, uma série de medidas para restringir a circulação e impedir o avanço da doença.

Mas, segundo o sindicato, apesar de a medida ter sido acertada para impedir o avanço da doença, há um impacto sobre a demanda, a arrecadação e as receitas das empresas de ônibus para pagar salários e benefícios.

Confira a íntegra do ofício:

EXCELENTÍSSIMO SENHOR PREFEITO MUNICIPAL DE CAMPINAS JONAS DONIZETE

C/c.  SECRETARIO DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS DA PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINAS WANDERLEY ALMEIDA E SECRETARIO DOS TRANSPORTES

 

 

Assunto: Crise da Pandemia e o Transporte Coletivo de Campinas

 

Senhor Prefeito, Senhores Secretários:

 

                                                                      Izael Soares de Almeida, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Campinas e Região, representante dos trabalhadores do transporte de passageiros de toda a região de Campinas, vem por meio desta, mui respeitosamente, expor e requerer o que segue:

                                                                       O Decreto Municipal baixado pelo Sr. Prefeito Municipal determinando o isolamento das famílias para evitar uma propagação sem precedentes do Coronavírus em nossa cidade, medida extremamente necessária, trouxe aos trabalhadores incertezas quanto ao recebimento de seus salários e benefícios, indispensáveis para o sustento de suas famílias e para a continuidade da prestação do serviço dos transportes, fundamentais para os trabalhadores da saúde e abastecimento da população de nossa cidade em tempos de extrema gravidade.

                                                                         É sabido, segundo dados da própria Emdec, que o sistema de transporte coletivo contabiliza diminuição do número de passageiros a níveis nunca vistos, da ordem de 70% nos dias atuais.  Para cálculo da Tarifa Municipal, a Emdec utiliza-se do método intitulado Tarifa Universal, ou seja, os custos do sistema de transporte é divido entre os passageiros pagantes, chegando-se a cobertura do  custo atual do sistema. Obviamente que essa receita não está acontecendo nos dias atuais, faltando recursos para realizar a folha de pagamento, sobretudo dos trabalhadores que permanecem em casa, fora de escala pela diminuição determinada pelo Decreto Municipal.

                                                                          Se, por um lado, o Decreto determinou a drástica diminuição dos ônibus em circulação, por outro lado trouxe incertezas quanto ao recebimento dos salários e benefícios, que é fruto da arrecadação da tarifa pelas empresas, que realizam adiantamento quinzenal de salários e arrecadam para o pagamento da folha até o quinto dia útil, havendo, ainda, o pagamento do vale alimentação no dia 1º. de cada mês. Tal arrecadação não está sendo realizada pelas empresas diante da queda brutal de passageiros.

                                                                          Existe, ainda, a questão dos trabalhadores que estão em casa, fora de escala, pela drástica diminuição dos ônibus em circulação. Entendemos que, se a questão fosse simplesmente entre as empresas e os trabalhadores, já teríamos resolvido através de pressão de paralização contra os empresários. Mas, nesse momento, a questão é mais complexa, exigindo o esforço de todos os atores para solucionar a contradição para todos venham a receber seus vencimentos.

                                                                         Assim sendo, apelando pela sensibilidade social que deve nortear nossas ações nesse período difícil que enfrentamos, acreditamos que devemos somar esforços no sentido de que cada setor colabore com sua parcela de responsabilidade, posto que nossos trabalhadores estão arriscando-se no transporte da população, estando sujeitos a contágios como todo profissional de serviço essencial, mas terá pela frente, na próxima semana, necessidades de receber seus vencimentos para que possam deixar suas famílias em casa com o mínimo amparo enquanto transportam a população. 

                                                                         Portanto pedimos garantias efetivas para  que os funcionários no transporte possam ter o mínimo de tranquilidade quanto a seus vencimentos e quanto a garantia efetiva dos empregos.

                                                        Certos em contarmos com a atenção peculiar de Vossas Excelências,  subscrevemo-nos.

Atenciosamente,

Campinas, 25 de março de 2020.

 

 Izael Soares de Almeida

                                            Diretor Vice Presidente

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Fonte: Diario do Transporte

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