Cedoc/RAC

“A impunidade é o que rege, o que comanda a orquestra das tragédias nacionais”. Seu último comentário na Rádio BandNews FM, ontem


O jornalista Ricardo Eugênio Boechat morreu no início da tarde de ontem, aos 66 anos, após a queda do helicóptero em que estava, na Rodovia Anhanguera (SP-330), em São Paulo. Boechat voltava de uma palestra em Campinas, no Centro de Convenções do Royal Palm Plaza, para funcionários da companhia farmacêutica Libbs. O jornalista era apresentador do Jornal da Band e da rádio BandNews FM, e colunista da revista IstoÉ. O piloto Ronaldo Quattrucci também morreu no acidente. 

Boechat estava em Campinas para fazer uma palestra sobre a contaminação da corrupção no Brasil, a construção da sociedade brasileira atual e a ética do povo. Ele chegou ao Royal Palm Plaza, por volta das 10h e deixou as imediações do complexo às 11h40, após posar para fotos com participantes, organizadores e patrocinadores do evento. O restante das atividades da convenção foi cancelado logo após a empresa tomar conhecimento da notícia da queda do helicóptero. A programação seria encerrada com um show da dupla Chitãozinho e Xororó. Na plateia, 2.700 pessoas acompanharam a palestra de Boechat.

Em nota, o Grupo Royal Palm Hotels & Resorts lamentou. “Boechat era um dos principais âncoras do rádio e da TV do País e sua perda é irreparável para o jornalismo brasileiro. Nesta manhã, o jornalista fez sua última palestra no Centro de Convenções Royal Palm Hall, em Campinas, em evento realizado por um cliente do grupo Royal Palm.”

A Libbs também lamentou e destacou em suas redes sociais que a aparição de Boechat abrilhantou e fortaleceu a relevância do encontro. “Durante 40 minutos ele esteve conosco em um bate-papo no qual imprimiu seu estilo, sempre autêntico e verdadeiro. Lamentamos igualmente o falecimento do piloto Ronaldo Quattrucci e estamos inteiramente solidários à dor das famílias. Todas as atividades do dia foram canceladas. Estamos aguardando informações oficiais sobre o ocorrido e seguimos à disposição das autoridades”, informou em nota.

Acidente

O chamado de socorro após a queda do helicóptero foi feito por volta das 12h15 e a Polícia Rodoviária Estadual atendeu a ocorrência com um helicóptero e mais 11 viaturas.

Boechat retornava a São Paulo, quando a aeronave que o transportava bateu na parte dianteira de um caminhão em um trecho do Rodoanel, que dá acesso à Rodovia Anhanguera, na zona oeste de São Paulo. O helicóptero estava a caminho do bairro Morumbi, na Zona Sul da capital paulista, onde pousaria no heliponto da TV Bandeirantes. A colisão ocorreu na altura do Km 7 do Rodoanel, sentido Castelo Branco, próximo a uma praça de pedágio. De acordo com a CCR Rodoanel Oeste, concessionária que administra o Rodoanel, o motorista do caminhão atingido pelo helicóptero teve ferimentos leves e sobreviveu.

Irregular

O helicóptero que levava Boechat bateu em um caminhão na Anhanguera: piloto da aeronave também morreu

O helicóptero, modelo Bell e prefixo PT-HPG, pertence à empresa RQ Serviços Aéreos Especializados. Trata-se de uma aeronave com motor turboeixo, com 1,2 toneladas e fabricada em 1975. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a situação de aeronave era normal. Porém, a empresa proprietária do helicóptero não tinha autorização para realizar transporte de passageiros remunerado. Em 2018, a RQ Helicópteros foi multada em R$ 8 mil por um processo aberto em 2011 pela Anac. O piloto Ronaldo Quattrucci, vítima da queda da aeronave ao lado do jornalista Ricardo Boechat, era sócio-proprietário da empresa, sediada em Santana de Parnaíba, na região metropolitana.

A Força Aérea Brasileira abriu investigações para apurar o caso. Oficiais realizaram ontem a Ação Inicial da ocorrência, que é o começo do processo de investigação com a coleta de dados. Eles fotografam cenas, retiram partes da aeronave para análise, reúnem documentos e ouvem relatos de pessoas que possam ter observado a sequência de eventos. (Com Estadão Conteúdo)

SAIBA MAIS

Filho de diplomata, Ricardo Eugênio Boechat nasceu em 13 de julho de 1952, em Buenos Aires. Durante a carreira, trabalhou nos jornais O Globo, O Dia, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. Também foi comentarista no Bom Dia Brasil, da TV Globo, na década de 1990. Ao todo, ganhou três vezes o Prêmio Esso, um dos principais troféus do jornalismo brasileiro. Além disso, Boechat era ainda o recordista de vitórias no Prêmio Comunique-se, sendo o único a ganhar em três categorias diferentes: âncora de rádio, colunista de notícia e âncora de televisão. Em pesquisa realizada pelo site Jornalistas & Cia, em 2014, que listou cem profissionais do setor, ele foi eleito o jornalista mais admirado. Boechat deixa a mulher, Veruska, e seis filhos.

Testemunha relata que vítima tentou saltar antes

Testemunhas que trafegavam pelo Rodoanel detalharam à polícia e à imprensa o momento em que o helicóptero caiu, ontem, em São Paulo. Segundo relatos, a aeronave voava baixo quando caiu sobre um caminhão. O jornalista Ricardo Boechat e o piloto Ronaldo Quattrucci morreram na queda. Uma das testemunhas, a vendedora Liliane Rafael da Silva, de 28 anos, acredita que o helicóptero tentava aterrissar na Rodovia Anhanguera pouco antes do acidente. Segundo ela, uma das pessoas a bordo chegou a pular antes da queda, mas foi atingida pela aeronave, que explodiu logo depois de ir ao solo.

“Uma pessoa pulou do helicóptero. O piloto ficou dentro do helicóptero. A pessoa caiu na pista. Era o que tinha pulado primeiro. Ele pulou na pista, caiu no chão e o helicóptero caiu em cima dele”, disse a vendedora.

Liliane diz ter sido a primeira pessoa a se aproximar do helicóptero, quando trafegava com o marido em uma motocicleta. Ela relata ter ajuda o motorista do caminhão atingido das ferragens e que chegou a se aproximar da aeronave. “Mas alguém gritou ‘saí daí que vai explodir’. Eu dei um passo para trás e teve uma explosão.”

Segundo o capitão Augusto Paiva, da Polícia Militar, o motorista do caminhão é João Francisco Tomanckeves, de 52 anos, morador de Caxias do Sul. Ele teve apenas ferimentos leves e às 14h40 já estava no 46º DP para prestar depoimento. No entanto, ao chegar na delegacia, o homem passou mal e precisou ser levado ao Pronto-Socorro de Perus.

À polícia, o motorista relatou que estava saindo da praça do pedágio, na faixa da cobrança expressa, quando viu a aeronave, mas não teve tempo para frear ou desviar. Ainda não se sabe qual foi o problema na aeronave. (Das agências)

Escrito por:

Henrique Hein


Fonte: RAC

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