Chefe do departamento de neurologia do HC e professora da Unicamp, Maria Augusta Montenegro estima que existam entre 2 mil e 4 mil pessoas com epilepsia em uma cidade do tamanho de Campinas. No estado de São Paulo, o número pode chegar a 80 mil.

“Você pode pensar em tirar esse pedaço do cérebro, porque ele está funcionando mais para causar a crise. Então, se eu definir [que] vem de uma região que não vai fazer falta, a gente pede para operar, o cirurgião tira e realmente a criança muitas vezes fica sem crise”, explica a médica.

A epilepsia causa desmaios, contrações musculares e respiração ofegante. Pode levar à morte se não for tratada corretamente. A cirurgia é uma opção para pacientes que não respondem bem a tratamentos convencionais com remédios. O HC realiza o procedimento há mais de 20 anos.

“Precisa que as cidades e os estados encaminhem essas crianças pra gente assim que descobrir que a epilepsia é refratária, o remédio não funciona. Isso significa: tentei três remédios e eles não funcionaram”, ressalta.

Sem crises

João Vitor Bordin, de 12 anos, passou pela operação há pouco mais de três meses. Tinha crises diárias, não tinha disposição para brincar, mas isso mudou após o procedimento. Passou a ter uma vida normal.

“Eu sentia que já ia passar mal. Eu fechava os olhos e passava mal. Minha visão apagava. Depois de segundos, voltava. Eu não entendia nada do que acontecia”, conta o estudante.

Aos 5 anos, Vitória Nucci também superou a doença. As crises começaram quando ela tinha 1 ano. A operação aconteceu há seis meses.

“Era muito tenso. Só a mãe que passa por isso sabe a dor que a gente sente, muito difícil. […] Depois da cirurgia, nasceu outra criança. O que ela não fez em cinco anos ela está fazendo agora”, conta a mãe, Joice Nucci.

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