Quer receber as principais Notícias de Campinas e região pelo Facebook Messenger? Inscreva-se agora.

Um estudo inédito realizado pela Unicamp em parceria com o Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Campinas (SP) mapeou casos de suicídios no município entre 1990 e 2017. De acordo com os pesquisadores, as informações serão utilizadas em estratégias de prevenção e no acompanhamento de pacientes nos serviços públicos de atenção à saúde mental.

O levantamento mostra que a taxa de suicídios em Campinas aumentou de 1,7 (1990) para 5,6 casos (2017) a cada 100 mil habitantes, e os dados mais recentes, entre 2015 e 2017, apontam que a ocorrência entre indivíduos do sexo masculino é 4,4 vezes maior que entre as mulheres.

Pesquisadora do Centro Colaborador em Análise de Situação de Saúde (CCAS), do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, Margareth Guimarães Lima explica que houve uma “certa surpresa” com o aumento da taxa em Campinas, apesar de a cidade ainda apresentar índices inferiores ao registrado no Brasil como um todo.

“Percebemos que os casos estavam crescendo no estado, no Brasil, e o que nos chamou a atenção foi o fato de triplicar a taxa em Campinas”, afirma.

Segundo a pesquisadora, de posse das informações, como a dos meios mais utilizados, é possível desenvolver ações mais específicas contra o suicídio. De acordo com o estudo, há uma diferenciação entre os métodos utilizados por homens e mulheres.

“Uma das medidas recomendadas para evitar o suicídio é a redução de acesso aos meios. Sabendo como ocorrem, podemos pensar em estratégias”, defende Margareth.

Prevenção

Os pesquisadores também analisaram os dados de tentativas de suicídio, no qual há mais casos envolvendo mulheres do que homens, no geral, 2,3 maior entre pessoas do sexo feminino.

Números mostram que a maior taxa ocorre entre jovens de 15 a 19 anos, com 59,9 casos para cada 100 mil habitantes. Na comparação por sexos, a taxa é de 94/100.000 entre indivíduos do sexo feminino, e 26,6/100.000 do sexo masculino.

“Considerando que o risco de suicídio é 100 vezes maior nas pessoas que já tentaram se matar, é essencial o acompanhamento desses pacientes pelos serviços de saúde, incluindo os realizados nos Centros de Saúde, nos Núcleos Ampliados de Saúde da Família e nos Centros de Atenção Psicossocial”, indica o relatório.

Acompanhamento

Coordenadora do programa de saúde mental da Secretaria de Saúde de Campinas, Sara Sgobin destaca que o setor acompanha, ano a ano, os números do Sistema de Notificação de Violência (Sisnov) para traçar estratégias de prevenção ao suicídio e que a prefeitura tem realizado um trabalho para estimular, através de capacitação das equipes, as notificações de tentativas de suicídio na cidade.

“Antes era muito subnotificado, e de fato nossas equipes têm notificado mais. A partir daí, montamos um programa para assistência dessas pessoas que chegam pelos serviços de urgência e emergência. Ela sai com um acompanhamento para o serviço de saúde mental, mas às vezes a pessoa não procura. No entanto, temos um sistema de comunicação que aciona a rede de atenção primária, que faz uma busca ativa por essa pessoa”, explica Sara.

A profissional destaca a importância do trabalho, uma vez que o suicídio “é um fenômeno crescente mundialmente.”

“A sociedade vem se afastando muito de contatos humanos, dos encontros, desabafos com os amigos, vivendo muito de redes sociais, da aparência. Entre crianças e adolescente, isso é perigoso, já que uma desilusão pode motivar uma tentativa”, argumenta.

Rede pública

Campinas oferece acompanhamento de saúde mental pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e também nos postos de saúde, sendo que a procura por ajuda pode ser feita tanto pela pessoa quanto pelo familiar que identificar a necessidade de apoio especializado. “A pessoa pode buscar o serviço que estiver mais próximo de casa”, avisa Sara.

A coordenadora do programa de saúde mental alerta que os pais devem ficar atentos a mudanças de comportamento de adolescentes. “É importante ficar de olho, se ele fica muito isolado, começa a perder vínculos de amizade e tem alteração no desempenho escolar”, conta.

Sara ainda destaca o serviço telefônico do Centro de Valorização da Vida (CVV) de Campinas, que atende pelo telefone 188, 24 horas por dia. “A pessoa não precisa se identificar e vai conversar com algum voluntário que vai acolher essa angústia”, diz.

Artigos relacionados
Carregar mais por Redação
Carregar mais em Notícias

Deixe uma resposta

Leia também

Começa semana de prevenção e controle

Luiz Granzotto O Secretário de Saúde, Carmino de Souza, participou da abertura Começou nes…