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Um boletim de ocorrência sobre prática de discriminação racial, envolvendo um motorista do aplicativo 99, foi registrado no último final de semana no Plantão Policial de Santa Bárbara d’ Oeste.

A vítima é Ananda Santos, 23 anos, moradora no bairro São Joaquim, que está emocionalmente abalada com o ocorrido.  Um manifesto repudiando o ato do motorista está sendo divulgado pela Associação Cultural e Beneficente Carolina Maria de Jesus e o Coletivo de Mulheres Negras  de Santa Bárbara d’ Oeste.

A jovem trabalha em um restaurante no Jardim São Francisco e contou que sempre utiliza o transporte pelo Aplicativo 99 para ir do trabalho para casa e vice-versa, ao supermercado, centro comercial e outras atividades e sempre foi tratada com normalidade por todos.  No sábado (06), por volta das 16h, ao solicitar um motorista do referido Aplicativo para retornar do trabalho para casa, acabou sendo vítima de discriminação.

Ela relatou que quando ele chegou, de longe acenou com a mão para que ela parasse. “Eu parei perto da janela do carro e ele falou: “não pega, não ponha a mão. Não transporto pessoa da sua cor. Meu carro é novo,  você vai encardir”.   Sem entender a situação, a jovem questionou  o motorista. “E ele respondeu: “Olha na sua cor. Você acha que vou colocar pessoas da sua cor dentro do meu carro?”. O motorista ainda teria dito que pessoas da cor de Ananda não entram no carro dele pra sujar o banco. Ele pediu que ela cancelasse a corrida. O carro é um Kwid cor laranja, placas EWJ-7200 Santa Bárbara d’ Oeste.

Outro motorista foi solicitado pela jovem, fez o transporte normal, e orientou que ela ligasse na Central do Aplicativo 99 para falar do ocorrido.  “Entrei em contato, a empresa se desculpou  e disse que não aceitava situação assim e que iria tomar providências. Eu nunca imaginei na minha vida passar por uma situação dessa. Fiquei  chocada com a situação.  O que ele fez comigo, não quero que faça com mais ninguém. Quero que essa pessoa seja punida e que sirva de exemplo para quem pratica esse crime”., finalizou.

Contatada pela reportagem do SBNoticias, a 99 informou que está apurando o caso. “A empresa esclarece que repudia qualquer forma de preconceito e tem uma política de tolerância zero em relação a isso”.

A 99 informou também que possui ainda um canal de atendimento exclusivo para incidentes de segurança no 0800-888-8999. “A assistência funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, oferecendo auxílio imediato. A empresa orienta as vítimas a denunciar sempre, para que todas as medidas cabíveis sejam tomadas, que podem incluir a exclusão do agressor da plataforma”. 

 Confira o manifesto de repúdio: 

“MANIFESTO DE REPUDIO AO ATO DE RACISMO PRATICADO PELO MOTORISTA DO APLICATIVO 99. ”A Associação Beneficente e Cultural Carolina Maria de Jesus e as Mulheres Negras do Coletivo Carolina Maria de Jesus  vem manifestar seu repudio e pedidos de providencias pelo ato de racismo praticado pelo motorista do aplicativo 99.

A vitima dos atos racistas Ananda dos Santos Rocha, reporta que no dia 06 de Julho de 2019, ao chamar o “Aplicativo 99” para ser transportada de seu trabalho até a sua casa, deparou-se com atitudes racistas do motorista que foi busca-la, verbalizando que não poderia transportar a jovem pelo fato da mesma ser “Negra”, dizendo que Ananda estava suja, que seu carro era novo, momento em que a jovem começou a chorar, sendo que o condutor reforçou suas praticas, dizendo, pode chorar, mas, não iria transporta-la.

Pedimos com veemência que o “Aplicativo 99” tome as devidas providencias quando ao “Condutor Racista”, e iremos tomar as medidas cabíveis para que este individuo seja enquadrado e tipificado no Crime de Racismo, pois, o mesmo se dirigiu a uma Etnia, praticando atos de segregação por causa da cor.

Os crimes de racismo estão tipificados na Lei nº 7.716 de 05 de Janeiro de 1989 que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.       Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) – Pena: reclusão de um a três anos e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

RACISMO: Também à luz da Constituição Federal, estabelece-se no art. 5º, XLII, da CF, que “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”.

Tendo em vista a crescente gravidade da situação, da invisibilidade social em que estamos inseridos na sociedade brasileira, das praticas racistas, do genocídio da nossa População Negra e de um atual contexto político, onde a liberação das armas, e palavras proferidas por homens que assumem o Alto Escalão do Poder neste país dizendo que Negros não servem para nada, é obvio o acirramento do apartheid brasileiro e que expõe nós Negros a toda forma de violência, intolerância e Racismo. Diante de todo o exposto, não iremos nos calar e reagiremos como nossos ancestrais na Luta por respeito e direitos iguais, sendo assim, REPUDIAMOS MAIS ESTA PRATICA RACISTA.

Antonio Carlos Vianna de Barros (Carlinhos Barros) – Rg: 12.373.978-0

 Presidente da Associação Carolina Maria de Jesus

(SBNoícias)

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